Smile
 
 
 
 
Revista »

FALAR EM PÚBLICO

FALAR EM PÚBLICO

Índice:

Como agir perante os imprevistos
Como lidar com interlocutores difíceis
Regras para ouvir as questões colocadas
Como responder a questões e objecções
É acometido por um episódio de medo
O equipamento avariou
Enganar-se na informação
Ter uma “branca”
Ouve-se um barulho inesperado na sala
Falar de Improviso
Computador e Projetor Multimédia
Vídeograma
Regras de Utilização de Auxiliares
Tipos de Auxiliares
Auxiliares nas Apresentações em Público
Expressão Facial
Gestos
Olhar
A Postura
Linguagem Não Verbal
Componente Vocal
Estratégias para motivar
Organização da Informação
Por onde Começar?
Controlar o medo
Imaginar a situação
Faça sempre uma preparação prévia e sinta-se mais seguro
Praticar sempre que possível
Pensar positivo. Predispor-se, mentalmente, para o sucesso
Pensar na importância que tem para si ser capaz de falar em público
Analisar o comportamento de outros comunicadores, observando o que apreciamos nos bons oradores
Desenvolver a Autoconfiança
Os Benefícios do Medo
Desmistificar o Medo de Falar em Público


COMO AGIR PERANTE OS IMPREVISTOS


Por mais que a nossa comunicação esteja bem preparada, sabemos de antemão que podem surgir imprevistos com os quais não contávamos. Por forma a evitar sermos surpreendidos com uma série de situações possíveis de acontecerem, o melhor é antecipá-las e prever como reagir para cada uma delas. Vamos então analisar alguns desses casos que podem nos surpreender e deixar em posição desconfortável.
Toca um telemóvel

Essa é uma situação que ocorre com muita frequência. E deseje que toque apenas um de cada vez. Caso contrário, então haverá necessidade de intervir. O importante é não demonstrar grande contrariedade com a situação e caso sinta necessidade de intervir, faça-o, por exemplo, utilizando o humor. Diga, por exemplo, “Se for para mim, diga por favor que não posso atender.” Ou “Esse é daqueles que tem câmara incorporada? Não? Isso é que é pena!”. Sem humilhar ninguém, e demonstrando subtileza e bom humor, lá vai passando a mensagem para que a situação não se repita e os outros desliguem os aparelhos.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice



COMO LIDAR COM INTERLOCUTORES DIFÍCEIS

Para saber lidar com interlocutores difíceis é necessária alguma habilidade especial. Existem algumas sugestões que lhe queremos deixar, sendo que, devemos sempre contar com uma boa dose de bom senso e assertividade, como princípios básicos.

• Mantenha a postura calma e tranquila;
• Não se deixe influenciar pelo tom de voz ou gestos intimidatórios do interlocutor;
• Centre-se na mensagem, não na pessoa;
• Se puder, tente fazê-lo passar para o seu lado;
• Depois de ouvir até ao fim, reformule a questão, confirme que é efetivamente essa a dúvida;
• Use o seu conhecimento e preparação sobre o assunto para formular a resposta;
• Evite personalizar a situação, entrando em ironias ou sarcasmos;
• Leve a sério a pergunta e quem a faz;
• Ao responder distribuia os olhares por toda a audiência, com especial incidência no dito interlocutor difícil;
• Tente encontrar áreas de entendimento e estabelecer uma base comum;
• Se for persistente, aceite a crítica e registe-a;
• Diga que está disposto a trocar impressões particularmente;
• Esteja preparado para admitir alguma falha ou erro, se efetivamente ocorreram;
• Reaja sempre com delicadeza, mas evite lisonjear o interlocutor;
• Mantenha ou volte aos assuntos principais logo que possível, se necessário com a ajuda do público.
Em resumo,
• Centre-se na mensagem e não no indivíduo;
• Aja com calma e serenidade;
• Dê uma pausa antes de dar a resposta;
• Não se esqueça de ouvir a pergunta até ao fim;
• Nunca faça afirmações que não pode provar.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


REGRAS PARA OUVIR AS QUESTÕES QUE SÃO COLOCADAS

Ouvir com atenção nem sempre é tarefa fácil, especialmente quando estamos emocionalmente alterados ou sob uma grande pressão, como são as situações que acontecem quando estamos em frente a um público.
• Não interrompa o interlocutor antes de ter compreendido o que ele tem para dizer;
• Foque bem e concentre-se na mensagem;
• Demonstre que escuta também através da linguagem corporal;
• Mantenha o contacto ocular com o interlocutor;
• Incline-se ligeiramente para a frente;
• Faça um gesto de confirmação de que compreendeu.

E então, decida que tipo de pergunta é que lhe foi colocada.

• Simples: então dê uma resposta curta e concisa;
• Complicada: relacione-a com os temas abordados, esclareça com um exemplo, resuma a sua resposta;
• Uma para a qual não tem resposta: diga que vai obter mais informações sobre o assunto e que depois entrará em contacto. Pode também dar informação sobre o local ou fonte onde o interlocutor poderá ser esclarecido;
• Preconceituosa ou com armadilha: Não responda, mas convide-o a voltar a falar no assunto mais tarde ou depois de terminada a sessão. Dê a palavra a outra pessoa;
• Pergunta divagação: clarique o que o interlocutor pretende ver esclarecido, responda diretamente, ou então, convide-o a falar consigo no final da sessão;
• Pergunta repetida: refira que esse assunto já foi abordado e resuma o que disse antes;
• Irrelevante: Reconheça que pode ser interessante, mas não faz parte da sessão de hoje;
• Comentário e não pergunta: Se estiver de acordo consigo, agradeça e continue. Se estiver a discordar, faça o mesmo, agradeça e continue;
• Múltipla: diga que não tem tempo para responder a todas, responda àquela que lhe parecer mais interessante.

Finalmente, lembre-se de que, quando lhe fazem perguntas é um sinal de que o público permaneceu interessado na sua comunicação. Dê respostas curtas e concisas, de preferência estabelecendo uma ligação com aquilo que disse inicialmente, acrescentando exemplos ou histórias. É importante que mantenha sempre o tom confiante durante toda a sessão de perguntas e respostas, dado que é essa imagem que a assistência irá guardar de si.

Em resumo,

• Oiça com atenção para ter a certeza que compreendeu a resposta;
• Agradeça. Diga “Obrigado”, mas não seja demasiado condescente do género “ainda bem que me colocou essa questão”, a não ser que seja mesmo verdade.
• Decida que tipo de pergunta é.
• Responda à pergunta.
• Confirme se resolveu a dúvida perguntando “Fiz-me entender?" "Clarifiquei”, em vez de “Ficou claro?” ou “Compreendeu?”.
• Dê respostas claras e diretas e passe a palavra a outra pessoa.
• Distribua os olhares por toda a assistência, com especial incidência na pessoa que fez a pergunta.
• No final, agradeça a todos e conclua.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


COMO RESPONDER A QUESTÕES E OBJEÇÕES

Quando estamos a fazer uma comunicação e alguém no meio da plateia levanta o braço, demonstrando o desejo de fazer uma pergunta, não há como evitar sentir um certo desafio, por mais que conheçamos o assunto, por mais que nos tenhamos preparado para a apresentação e por mais que tenhamos previsto a possibilidade de que as pessoas nos pudessem questionar.
Este é um dos momentos mais temidos por muitos dos comunicadores, porque, inconscientemente, sentimos que, aquele gesto pode transportar em si uma série de intenções – positivas ou negativas.

A melhor forma de gerir esta fase da comunicação é a sua preparação por antecipação. Isto é, pensar previamente quais as perguntas e objeções possíveis de surgir. Poderá, por exemplo, pedir ao seu amigo ou colega que o ajudou a ensaiar, que o testem fazendo algumas perguntas. De preferência, aquelas que considerarem ser as mais difíceis de responder. Desta forma, poderá treinar a sua capacidade de argumentação e de manter a calma numa situação habitualmente bastante complicada emocionalmente.

Pode mesmo preparar uns cartões auxiliares de memórias com as hipóteses de perguntas e as respostas respetivas, bem como uns diapositivos especialmente para o efeito. Poderá transformar este momento, em mais uma forma de surpreender o seu público e demonstrar a sua competência no assunto.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


É ACOMEDIDO POR UM EPISÓDIO DE MEDO

É melhor contar deste já com essa possibilidade. É natural que aconteça. É este um dos momentos mais temidos: o de enfrentar o exame do público. Os primeiros 30 a 60  segundos são sempre os mais difíceis de suportar. Saiba, porém, que vai melhorar à medida que começar a falar.

Uma solução pode passar por tentar movimentar-se um pouco, respirar com calma, ajeitar as suas notas, acertar a altura do microfone. Esses instantes são preciosos para conquistar um pouco de tranquilidade.
Comece falando um pouco mais baixo e devagar, para que a instabilidade provocada pelo nervosismo não seja percebida pela assistência. Cumprimente as pessoas devagar, pausadamente, para regular a respiração e habituar-se ao som da sua voz.

Esses cuidados aliados a um bom conhecimento do assunto e a correta ordenação das informações ajudarão a combater o nervosismo inicial.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice

 

O EQUIPAMENTO AVARIOU
 
Todos os equipamentos e materiais a utilizar durante a comunicação deverão ser testados previamente. No entanto, isso não impede que uma lâmpada se possa queimar, ou que o microfone deixe de funcionar.
Primeiro conselho - não fique zangado com o pessoal de apoio (pelo menos, “ao vivo”).  Se o fizer, transmitirá de imediato uma imagem de antipatia e falta de tato, o que, além de não resolver o problema, ainda lhe aumentará o nervosismo. Quando preparar a sua comunicação, faça-o com o auxílio de recursos, mas também sem eles. Se por exemplo, está a pensar projetar uma série de diapositivos utilizando o projetor multimédia, não custa nada levá-los também em transparências, e assim funcionarem como reserva para uma eventualidade. Sempre poderá contar com um aparelho de retroprojeção para contornar o transtorno de uma falha no equipamento multimédia.
Já agora, prepare também a comunicação sem recurso a nenhum auxiliar visual. Só com muito azar tal poderá acontecer, mas nunca fiando.

Caso, o microfone deixe de funcionar, ou esteja a funcionar deficientemente, e no caso da assistência não ser superior a umas poucas dezenas de pessoas, o melhor é optar por falar sem ajudas, projetando a sua voz.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


ENGANAR-SE NA INFORMAÇÃO

Se eventualmente cometer um engano, deve corrigir o erro ou continuar a falar como se nada fosse?

Claro que isso depende do tipo de erro cometido. Se transmitir uma informação incorreta, que ponha em causa a compreensão da mensagem, então necessariamente deverá corrigir o erro. O caso necessita imperiosamente de reparação se se enganar no nome de alguém. Se, por exemplo, se tratar de uma falha ao pronunciar uma palavra, tipo “pontapé na gramática” como se costuma dizer, pode não comprometer a compreensão da mensagem, mas pode fragilizar a sua imagem de orador. Não há nada pior do que ouvir alguém dizer: “Prontos!”, “A gente começámos a investigação...”, Por exemplos, ...”, etc.  Qualquer destes erros poderá comprometer seriamente a nossa credibilidade enquanto oradores e fazer esquecer tudo o resto que foi dito.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


TER UMA "BRANCA"

Quando tudo está a correr bem, as ideias parecem fluir e o público está motivado, eis que de repente, se pensa: “O que é que eu vou dizer a seguir”. Ninguém está livre desse imprevisto. Até os atores mais experientes passam por situações como estas. O que fazer então?

Em primeiro lugar, é preciso tentar manter a serenidade. Depois, insista apenas uma vez mais para tentar descobrir qual era a palavra ou frase que ia dizer a seguir. Se mesmo assim não se recordar, não insista, pois se persistir, ficará ainda mais nervoso e começará a demonstrá-lo. A tática é repetir a última frase, de preferência com palavras diferentes, falando com mais energia, como se quisesse dar ênfase àquela mensagem. Utilize uma frase do género, “Na verdade, o que eu quero dizer é que...” e insista reformulando o que acabou de dizer. Provavelmente, isso dar-lhe-à tempo para se recordar. Se mesmo assim não conseguir se lembrar do que deveria dizer, continue calmo e diga aos ouvintes que mais à frente voltará a referir aquele assunto. É quase certo que sem a pressão do momento e mais tranqüilo irá se recordar do que queria dizer. Caso não se lembre, nada de mais poderá acontecer. Certamente que ninguém da assistência irá insistir sobre o assunto.
Mas, como é evidente, nada isto sucederá que tiver preparado auxiliares de memória, sob a forma de cartões, devidamente numerados e onde constem precisamente aqueles aspetos que são mais passíveis de serem esquecidos, tais como nomes de pessoas, números, citações, histórias, anedotas, etc. Registe tudo, caso ocorra uma “branca” poderá dar sempre uma vista de olhos para recordar.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


OUVE-SE UM BARULHO INESPERADO NA SALA

Costuma dizer-se que é nas situações difíceis que percebemos a verdadeira capacidade de gerir imprevistos. Por isso, se algo de inesperado acontecer, reaja com “fair-play”. Por curiosidade, veja o episódio relatado numa revista “Seleções do Riders Digest” com o ex. Presidente dos Estados Unidos, Ronald Regan.

Durante uma palestra acerca do desarmamento, com a sala repleta de altas individualidades e jornalistas, a mulher de Ronald Regan, que procurava entrar sem dar nas vistas, ao sentar-se na cadeira, fê-lo de tal forma que a cadeira se virou e ela ficou estatelada no chão, com as pernas para o ar. Já imaginou o espetáculo?
Reagan pareceu não ficar minimamente afetado, e depois de ter percebido que nada de grave tinha acontecido e a mulher estava restabelecida, aproveitou a situação e transformou-a num momento de bom humor. Disse mais ou menos isto:
— Combinei com a minha mulher que se se percebesse que estão a ficar aborrecidos, ela usaria esse recurso para motivar a plateia, mas não pensei que fosse acontecer logo no início do discurso.” A assistência explodiu em gargalhadas e a situação foi muito bem contornada.

Se algo de semelhante acontecer, não entre em pânico, brinque com a plateia, ironize consigo mesmo e conquistará a simpatia e a solidariedade dos ouvintes.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


DURANTE UMA REUNIÃO OU ENCONTRO ALGUÉM LHE PEDE PARA FALAR DE IMPROVISO

E se de repente, alguém da mesa o decide chamar para fazer uma intervenção?
Por mais remota que possa ser a possibilidade de sermos chamados para falar durante uma apresentação pública, devemos sempre estar preparados para essa eventualidade. Se mesmo assim o apanharem desprevenido, a saída para falar sobre um tema de improviso é começar a abordar assuntos que domina com profundidade, como os que estão relacionados à sua atividade profissional, ao seu hobby, àquela notícia que está na ordem do dia, a uma situação que presenciou,
Assim, enquanto fala sobre assuntos que domina, conseguirá fazer um breve planeamento mental da sequência da exposição. Como a assistência recebe a mensagem como sendo uma só desde o princípio até ao fim, ficarão com a ideia de que domina claramente o assunto, quando na verdade poderá ter muitas informações do que falou no início e talvez poucas do tema para o qual foi convidado a falar.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


COMPUTADOR E PROJETOR MULTIMÉDIA

O computador é, sem dúvida nenhuma, o auxiliar mais utilizado hoje em dia, dado que é aquele que oferece mais possibilidades, integrando diversos tipos de ferramentas de preparação e exposição. O seu uso é especialmente vantajoso na conceção de ajudas (materiais e apoio), mas também para a sua projeção conjuntamente com o projetor multimédia, também frequentemente chamado data-show.

As principais vantagens residem na facilidade de atualizar, emendar, copiar, inserir novos dados na nossa apresentação apenas em breves momentos, bem como conciliar diversos tipos de auxiliares, desde imagens, texto, diapositivos, gráficos, sons, videogramas, etc, tudo apenas com o toque de um dedo.

Esta abundância de oportunidades pode, no entanto, ser completamente arruinada, se o comunicador não dominar o manuseamento do equipamento ou se ocorrer uma falha de corrente, para a qual não há técnico de informática que acuda.

Existe também um outro risco que se pode correr. O deslumbramento pela tecnologia, tornando a nossa apresentação numa verdadeira “feira de vaidades”, tornando-se assim o “auxiliar” no verdadeiro centro das atenções.

Eis então alguns dos cuidados a ter com a utilização do computador.
Antes de começar:
- Verifique se tem toda a informação gravada em pelo  menos dois suportes;
- Teste o seu material no equipamento que lhe disponibilizarem, se for preciso vá lá de véspera;
- Quando for conceber diapositivos, siga as regras sugeridas para a conceção de transparências;
- Aprenda a trabalhar com o equipamento existente na sala, sem esquecer o comando à distância do aparelho projetor.

Quando começar:
- Ligue o aparelho (alguns demoram algum tempo a iniciar);
- Apague a luz, se houver necessidade;
- Verifique a focagem;
- Faça uma pausa – dê tempo ao público para ler ou observar as imagens;
- Explique o conteúdo do que vai projetar;
- Olhe para a assistência, enquanto dá a sua explicação;
- Use um ponteiro luminoso ou o ponteiro incluindo no programa de power point.
 
Verifique sempre:
- Se o software e sistema operativo do computador da sala é compatível com aquele onde produziu a informação;
- Assegure-se que sabe manusear o equipamento;
- Assegure-se que todas as ligações estão bem efetuadas, cabos, tomadas, etc.;
- Confirme se o écran está posicionado de forma a não prejudicar a assistência.
- Garanta que todos os ficheiros estão prontos para ser abertos e projetados.

Quando terminar:
- Desligue ou coloque em stand-by o projetor;
- Acenda as luzes;
- Faça os seus comentários;
- Reinicie a operação caso tenha mais informação para projetar.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


VÍDEOGRAMA

Embora não seja muito frequente, podemos utilizar um pequeno filme para ilustrar algum aspeto da nossa comunicação. Terá de ser necessariamente curto, apenas breves minutos, sob pena de cansar a assistência, a não ser que seja um filme de excelente qualidade que agarre mesmo a assistência. Contudo,  mais uma vez insistimos que os auxliares devem ser isso mesmo, apenas auxiliares e não substitutos da presença do comunicador. Alguns dos aspetos que consideramos que devem ter em conta são:

Antes de começar:
- Verifique se o filme transmite mesmo a mensagem pretendida;
- Assegure-se de que a sua mensagem e a mensagem do filme estão em sintonia;
- Aprenda a trabalhar com o equipamento existente na sala, sem esquecer o comando à distância.

Quando começar:
- Comunique à assistência que vão ver um filme (a não ser que queira criar um efeito surpresa);
- Apague as luzes (ou peça para as apagar com um gesto combinado);
- Se pretende comentar um aspeto, pare o vídeo;
- Fale e depois recomece;
- Não fale nunca por cima do narrador;
- Não interrompa demasiadas vezes o visionamento. Dependendo da duração do filme, três ou quatro, no máximo. 

Verifique sempre:
- Confirme se o écran está posicionado de forma a não prejudicar a assistência.
- Garante que o filme esteja no início do que pretende projetar; 

Quando terminar:
- Pare o vídeo.
- Acenda as luzes.
- Faça os seus comentários finais ou peça-os à assistência.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


REGRAS DE UTILIZAÇÃO DOS AUXILIARES VISUAIS, AUDIOVISUAIS E MULTIMÉDIA

Vejamos algumas das principais regras de utlização dos auxiliares visuais, audiovisuais e multimédia:

Quadro de papel ou Flip-chart
Os quadros de papel, também designados por flip-chart são um excelente auxiliar para apresentações para pequenos grupos ou para sessões de briefings.

Podem ser preparados previamente e adicionada  informação durante o decorrer da apresentação. São particularmente úteis se pretendemos solicitar a opinião do público e registar as suas ideias. Desta forma, poderemos criar um maior envolvimento e de interação com a assistência. Eis alguns dos aspetos que convêm ter em linha de conta quando o for utilizar:
Antes de começar:
- Escreva sempre com letra bem legível, de preferência, maiscúlas de impressa;
- Faça as letras de tamanho suficientemente grande para que se possa ler no fundo da sala – mínimo de 6 cm para os títulos e 3cm para o corpo da letra;
- Use canetas grossas de ponta de feltro, grossas e de cores fortes (preto, azul, vernelho, verde, por exemplo);
- Não use mais de três cores, para não se tornar demasiado irritante;
- Deixe bastante espaço em branco entre as frases ou esquemas;
- Pode registar as ideias principais a lápis, de modo a que apenas você possa ler;
- Marque a folha anotada num dos cantos para que possa aceder imediatamente à página certa. 
Quando começar:
- Não fale e escreva ao mesmo tempo. Dessa forma, além de perder o contacto visual com a assistência, poderá inibir a projeção da sua voz;
- Introduza – pare – mostre – pare – fale/peça comentários;
- Coloque-se ao lado e não à frente do flip-chart quando estiver a escrever e a falar.
Verifique sempre:
- Se o flip-chart está bem posicionado de modo a que todos possam ver;
- Se tem canetas nas cores necessárias e nas devidas condições;
- Se tem folhas suficientes;
- Se tem as suas “cábulas” bem camufladas. 
Quando terminar:
- Vire para uma folha em branco;
- Não deixe nunca à vista a folha escrita com o tema anterior;
- Quando acabar de escrever, coloque os marcadores na prateleira para não ter a tentação de começar a manipulá-los com as mãos.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


TIPOS DE AUXILIARES

Existem diferentes interpretações do que pode ser considerado como auxiliar. Na nossa perspetiva, pode ser considerado como auxiliares  todos os recursos que nos permitam aumentar o impacto da nossa comunicação.  Assim, dividimos os auxiliares em dois grandes grupos: visuais e audiovisuais, donde se destacam as transparências, os slides, o vídeo, imagens e sons através de multimédia e materiais de apoio, onde se incluem os textos de apoio, os gráficos, os esquemas, os diagramas, as estatísticas, etc.

Os principais tipos de auxiliares visuais utilizados hoje em dia são os gráficos de computador, as transparências, os slides e os quadros de folhas, também designados por flip-chart. Os videogramas também podem ser utilizados, para situações muito específicas.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


AUXILIARES NAS APRESENTAÇÕES EM PÚBLICO

Os auxiliares são essenciais para uma comunicação ser bem sucedida. Neles se incluem as ajudas visuais e audiovisuais, bem como os materiais de apoio.

A utilização de ajudas visuais ou audiovisuais tem como principal objetivo  facilitar a apreensão da mensagem, reforçando-a. “Uma imagem diz mais que mil palavras”, é uma frase que expressa bem o que queremos dizer. Esquemas, diagramas, imagens, gráficos, filmes, servem para aumentar o interesse, manter a atenção, consolidar ideias e facilitar a retenção e memorização dos aspetos chave. Relembramos que retemos

cerca de 10% do que lemos,
20% do que ouvimos,
20% do que vemos
50% do que vemos e ouvimos ao mesmo tempo.
Não desanime. Provavelmente, não é bem assim. Não esqueça a importância que tem a motivação em todo o processo de memorização e retenção de informação. Daí então a importância de utilizar todos os meios possíveis para cativar e reter a atenção dos nossos ouvintes.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


EXPRESSÃO FACIAL

A expressão gestual, pode e deve, acompanhar a expressão oral, sublinhando e reforçando as suas afirmações.

A expressão facial deve ajustar-se ao asssunto do qual se está falar. Por exemplo, se se pretende fazer rir o público, a expressão deve conter o sentido irónico do que estamos a referir.

Em resumo, no que se refere à comunicação não verbal, podemos dizer que:

• Utilize os olhos para estabelecer contacto visual com a audiência, para estabelecer um contacto e interação, mostrando permanentemente o interesse que tem em captar a sua atenção; 
• Procure manter-se de pé, não só porque favorece o contacto visual, dá uma imagem de segura e convicção e permite uma melhor vocalização;
• Utilize as mãos, fazendo gestos e movimentos que estejam de acordo com a mensagem e facilitem a sua comprensão;
• Mantenha uma expressão facial simpática ou adeque-a aos sentimentos que pretende transmitir;
• Não esqueça que a forma de transmitir a mensagem é tão importante a mensagem em si própria.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


GESTOS

No que se refere aos gestos e movimentos com as mãos, existem vários autores que são apoligistas de que os gestos podem funcionar como um fator distractor e, por isso mesmo, devem ser mantidas junto ao corpo, ou em cima do púlpito.

Será humanamente possível eliminar os nossos gestos naturais? Na nossa perspetiva, os gestos das mãos podem facilitar a compreensão da mensagem e devem ter vida. Não as impeça de viver. Naturalmente, poderá apoiá-las, caso existe um púlpito, ou, porque não, manejar uma esferográfica ou um apontador. O importante é que se trate de um gesto natural e não rígido ou excessivo.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


OLHAR

Estar de pé permite o contacto visual com o público. Para muitas pessoas, esta é uma das grandes dificuldades de falar em público: o olhar nos olhos dos participantes e, como forma de o evitar procuram um ponto no ínfinito (no fim do anfiteatro ou na porta da saída), outros refugiam-se no papel à sua frente. Quais os resultados deste tipo de estratégia de fuga? Não há público que aguente e o fracasso é quase sempre garantido.

Quando nos encontramos num grande auditório, isto é mais fácil de conseguir, dado que até podemos fixar pontos entre as pessoas, olhar para o cimo das cabeças, evitando assim o contacto ocular fixo. Numa sala de pequena dimensão, quando se fala para um grupo mais restrito, esta pode ser uma dificuldade acrescida. Devemos resistir também à tentação de olhar apenas para uma ou duas pessoas conhecidas, ou para aquela senhora que está sempre a dizer que sim com a cabeça, dado que podemos irritar a restante assistência.

O contacto visual com o público tem uma importância crucial no estabelecimento da relação com a audiência, por isso é fundamental manter o olhar dirigido para ela, distribuindo por todo o público. Já agora, aproveite estes momentos para “ler” os rostos dos espectadores e faça também uma avaliação do feedback, através de movimentos coletivos típicos - os acenos de cabeça, cruzar de pernas, tomar notas, coçar a cabeça, mexer nos papéis, podem ser sinais de motivação ou de desinteresse. Procure perceber o que eles estão a sentir e, se for caso disso, faça apelo à sua capacidade de motivação e animação. Não pode é permitir que o seu público se desinteresse do que lhes está a comunicar.
O sucesso da sua apresentação mede-se em função do interesse revelado pelo público.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


A POSTURA

Qual a posição mais conveniente durante o discurso? Sentado ou de pé?

Isso depende de cada pessoa e da forma como ela se sentir mais à vontade, mas, deve lembrar-se que se permanecer de pé envolve mais a audiência. Há pessoas a quem agrada mover-se perante o público, para cativá-lo ou para conseguir um determinado efeito. Quando estiver de pé, dê particular atenção à sua postura, não podemos esquecer que apenas um tronco bem firme, com os ombros levantados e o pescoço erguido, permitem uma boa saída para o ar e por isso uma boa projeção da voz.
Na verdade, não existem regras rígidas no que refere a estes aspetos. Correndo o risco de repetir um “chavão”, o importante é que se sinta à vontade no seu corpo enquanto  dura a sua intervenção. Para além deste aspeto, não podemos esquecer que a postura ideal é aquela que respeita as leis da gravidade, concentrando o peso da cabeça, tronco e braços no plano ósseo sacro-ilíaco. O alinhamento corporal deve ser estável, mas não estático, dinâmico e não fixo.
Se sentir necessidade de se movimentar, faça-o, evitando contudo as seguintes situações:
• Balançar o corpo para os lados ou para trás
• Fazer gestos repetitivos sem qualquer significado
• Meter as mãos nos bolsos

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


LINGUAGEM NÃO VERBAL

Conhece aquela frase que diz, “Não podemos não comunicar não verbalmente”, isto é, quer queiramos ou não, mesmo quando estamos em silêncio, estamos a comunicar. A nossa postura, a nossa forma de vestir, os nossos gestos e até a distância a que nos encontramos dos outros, são forma de comunicar sem palavras. Sabia que foram feitos alguns estudos pela Kodak, por forma a perceber a importância atribuída a cada uma das componentes da comunicação.

E os resultados são surpreendentes: quando colocados numa situação de face a face pela primeira vez, e para a formação da imagem dessa pessoa, a componente física, ou seja, a postura, a forma de vestir, o aspeto físico em geral, são determinantes, cerca de 55%, seguindo-se 38% para a componente vocal e, finalmente, apenas 7% para as palavras proferidas. Têm que se lhe diga, não é verdade?

Lembre-se por isso destes números quando estiver a preparar a sua comunicação e dê por isso uma particular atenção à sua aparência física, aos gestos e à sua voz. A  forma de transmitir uma mensagem é tão importante como a própria mensagem.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


COMPONENTE VOCAL

A componente vocal é determinante no sucesso de uma apresentação. É a voz que vai levar a mensagem aos ouvintes, despertar o seu interesse e motivação, estimular a curiosidade, chamar a atenção,  ou, pelo contrário,  empurrá-los para a sonolência.

Tirar partido de todas as potencialidades da nossa voz, é uma das regras de ouro para ser bem sucedido.

Em primeiro lugar, uma postura correta (ombros e cabeça levantados, olhando em frente), desde logo contribuirá para uma melhor colocação da voz, pelo facto das cordas vocais localizadas na  laringe se encontrarem livres de qualquer pressão, permitindo que o som saia sem esforço adicional.

É também importante saber que a palavra está intimamente ligada com  a respiração: é durante o movimento da expiração que, passando pela laringe, o sopro pulmonar é sonorizado, dando origem à voz. É depois, ao nível da faringe e dos órgãos da boca (palatino, língua e lábios) que a voz é articulada e se torna palavra.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


ESTRATÉGIAS PARA MOTIVAR

Porque será assim tão importante utilizar estratégias específicas para motivar ou persuadir o nosso público? Afinal de contas, se as pessoas estão ali para ouvir a falar sobre o tema “x” é porque estão interessadas e irão manter-se atentas? Não será? Que maior motivação poderá existir do que ouvir falar sobre um tema que nos interessa? Será mesmo assim?

Já notou como o nosso pensamento é veloz? Já pensou na quantidade de coisas que nos passam pela cabeça quando ouvimos uma instrução de serviço, ou quando falamos ao telefone com um amigo? Será porque não temos interesse no assunto? Diferentes estudos mostram que o nosso pensamento processa-se a uma velocidade quatro vezes superior à velocidade das palavras transmitidas oralmente.
Por isso, se aquilo que está a ser dito não nos prende verdadeiramente a atenção, deixamos de ouvir e temos tendência para nos refugiarmos nos nossos pensamentos.

Para além desse facto, nós possuímos uma audição seletiva. Isto é, de uma maneira geral, prestamos mais atenção às mensagens que diretamente nos dizem respeito, que vão ao encontro dos nossos interessos, gostos, valores, etc.
Temos ainda de contar com os ruídos e interferências extermas que podem ser um facto destabilizador da nossa atenção. O simples facto de uma cadeira ranger, ou estar demasiado calor na sala, ou até uma pessoa que tosse, pode ser o suficiente para nos distrair. Isto se não estivermos verdadeiramente motivados para a escuta. Quando assim acontece, ruídos ou interferências externas não surtem grande efeito, porque estamos profundamente atentos à comunicação e concentrados na mensagem.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO

Como é evidente, toda a comunicação pressupõe a existência de uma estrutura lógica e facilmente percetível, para que possa facilmente ser acompanhada por aqueles que nos escutam. Nada pior do que uma apresentação que começa com “Boa tarde. Venho falar de ...”, explana o primeiro ponto, depois para o outro sem qualquer aviso, não faz qualquer síntese parcelar, retoma o primeiro ponto, conclui, pede desculpa por se ter esquecido de referir um aspeto, insiste no segundo ponto e depois, morre repentinamente dizendo “E pronto, acabei.” 
Pior do que isto, só um ataque de gaguez súbita...
O discurso deve estruturar-se em três partes: abertura, corpo e conclusão ou seja, início, desenvolvimento e encerramento.
INTRODUÇÃO:          Diga o que lhes vai dizer.
DESENVOLVIMENTO:   Diga.
CONCLUSÃO:            Diga o que lhes disse.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


POR ONDE COMEÇAR?

Preparar uma comunicação acerca de um assunto que dominamos e que gostamos de partilhar com os outros, é sempre um momento de grande emoção. Afinal de contas, há tanto para dizer sobre aquele assunto. Por onde começar?
O que lhe parece? Por onde será que devemos começar a preparação da nossa comunicação? Qual deverá ser a primeira coisa a fazer? E a segunda? Qual a menhor sequência de passos a seguir?
Se calhar, depois de estar escolhido o tema (o que pode ter sido de sua iniciativa ou imposto pelas circunstâncias), o melhor é dedicar algum tempo a pensar sobre o assunto. Apenas pensar, imaginar o que pretendemos, avaliar a expectativa do nosso público, enfim, delinear a ação na nossa cabeça antes de passar para o papel. Muitos especialistas referem que esta é a parte que demora mais tempo, dado que é através do processo cognitivo que tudo tem de passar primeiro. Quanto tempo devemos gastar nesta fase? Bom, isso dependerá de vários fatores, como sejam, o tempo que ainda temos até à apresentação, a duração da comunicação, o grau de conhecimento que temos sobre o assunto, a quantidade de informação que já temos disponível, e, evidentemente, o grau de experiência que se tem em fazer apresentações públicas.
Ao contrário do que muitas vezes pensamos, quando preparamos uma comunicação, não é tão importante aquilo que pensamos ser o mais interessante e importante para dizer, mas, aquilo que os outros desejam e querem saber sobre o nosso tema. Afinal de contas, a comunicação destina-se a saisfazer nosso público e não apenas a nós próprios. É a assistência que determinará que fomos ou não bem sucedidos.
Que importa que tenhamos um enorme conhecimento acerca de um assunto, que disponhamos da informação mais recente, se não conseguirmos transmita-la devidamente aos outros e ela permanecer encerrada na nossa cabeça? O que diremos de uma comunicação recheada de termos técnicos e científicos, mas que não é entendida pela maioria da nossa assistência? Que somos muito sapientes? Que somos muito iruditos? Provavelmente apenas que não soubemos planificar a nossa comunicação de acordo com o público e por isso resultou num fracasso.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


TÉCNICAS PARA CONTROLAR O MEDO

O medo de falar em público é uma das emoções mais frequentemente referidas pelos profissionais da nossa sociedade. A verdade é  que, quando temos de falar em público, nos sentimos pressionados para demonstrar um bom desempenho,  nos sentimos a ser avaliados pelos nossos pares, sejam eles colegas, superiores hierárquicos, clientes, ou pura e simplesmente uma audiência anónima e queremos ser bem sucedidos.
Sabemos já alguns dos passos para desenvolver a nossa autoconfiança, e estamos certos de que serão o bastante para nos sentimos com mais coragem e determinação para levar a bom porto este desafio. Contudo, não podemos negar que mesmo com uma boa preparação e treino de toda a situação, os momentos que antecedem a nossa apresentação são de grande tensão. Não vale a pena negar. O medo vai lá estar na hora “H”. O melhor é preparar-se antecipadamente para o receber, de forma a causar o menor dano possível na sua autoconfiança.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


6ª Atitude a tomar para desenvolver a autoconfiança:

MEDITE SOBRE O ASSUNTO

Curiosamente, muitos das pessoas que fazem habitualmente comunicações em público, referem que a primeira etapa da preparação não é feita por escrito, mas passa-se apenas na cabeça. Quer dizer, pensar sobre o assunto. Imaginar a situação nos seus vários contornos, dentro do tema, quais os aspectos a abordar, qual o impacto que queremos criar, etc., etc. Só depois de assentar as ideias, é que iniciamos o processo de passar para o papel.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


5ª Atitude a tomar para desenvolver a autoconfiança:

FAÇA UMA PREPARAÇÃO CUIDADA E ATEMPADA

Saber o que vamos dizer, porque sequência o fazer, contando aquela história a propósito, projetando simultaneamente a imagem “x”, é meio caminho andado para nos sentirmos mais seguros. Além do mais, se uma comunicação bem estruturada pode não ser garantia absoluta de sucesso, a falta de preparação é certamente garantia de insucesso. Por isso mesmo, prepare-se previamente.
Outro dos cuidados é o treino. Isto não significa que deve decorar palavra por palavra todo o seu discurso. Pelo contrário, nada é mais maçador do que ouvir alguém a “desbobinar” uma palestra de forma mecânica e impessoal. Para além disso, pode sempre acontecer que nos esqueçamos da palavra que vinha a seguir, e aí sim, podemos ficar embaraçados perante a audiência, sem saber como continuar.
O fundamental da preparação passa por organizar as ideias segundo uma sequência lógica e motivante para o nosso público, preparar alguns auxiliares de memória, para podermos consultar sempre que sentirmos necessidade e, depois, no dia “D”, falar naturalmente, de forma espontânea.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


4ª Atitude a tomar para desenvolver a autoconfiança:

APROVEITE TODAS AS OPORTUNIDADES PARA PRATICAR

Sem treino e prática não há forma de ultrapassar o medo de falar em público. Ninguém aprende a falar em público, sem falar em público. Ler manuais sobre o assunto pode ser muito importante, mas se não levar à prática a teoria, não serve para nada. É como aprender a andar de bicicleta por correspondência. O mais importante é praticar. E como dizia alguém, “Vergonha não é cair. Vergonha é não ser capaz de se levantar.”

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


3ª Atitude a tomar para desenvolver a autoconfiança:

PENSAR POSITIVO. PREDISPOR-SE, MENTALMENTE, PARA O SUCESSO

Querer ser capaz de falar, é a principal condição de sucesso. Junte ao treino e prática, muita vontade e persistência.
Conhece a história que se conta sobre a forma como Júlio César terá conquistado as ilhas britânicas? Diz então que Júlio César ao desembarcar nas ilhas britânicas com as suas legiões, se deparou com um número inesperado de bretões, situação que terá alarmado e amedrontado as tropas romanas. De imediato, Júlio César pensou numa estratégia para levar os seus soldados a enfrentar, sem medo, os seus adversários. Mandou todos os seus soldados para o alto de um penhasco, donde podiam ver o mar. Depois, mandou incendiar todos os navios que lhes tinham servido de transporte e que eram o único meio de saída da ilha. Solução, avançar, conquistar e vencer ou morrer. Interessante, no mínimo, não lhe parece?
Faça como Júlio César e as suas tropas, faça da sua fragilidade a sua força. Enfrente esta situação como um desafio, que depois de ultrapassado o fará sentir como um vencedor, cheio de novas forças para enfrentar outras batalhas, outros desafios.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


2ª Atitude a tomar para desenvolver a autoconfiança:

PENSAR NA IMPORTÂNCIA QUE TEM PARA SI SER CAPAZ DE FALAR EM PÚBLICO

Não podemos negar que vivemos numa sociedade que atribui cada vez maior importância à desenvoltura e à destreza de cada indivíduo. Mesmo sem nos darmos conta, fazemos juízos de valor acerca das capacidades intelectuais e até profissionais dos outros apenas pela forma como cada pessoa cumprimenta, pela forma como caminha e, claro está, pela forma como fala.
O entusiasmo e convicção com que se expressa, o tom de voz que tem, a postura, a clareza da linguagem, fazem-nos pensar que se trata de um bom político ou um bom chefe ou, pelo contrário, de um pobre diabo a quem não confiaríamos a mínima responsabilidade.
Se para nós é verdadeiramente importante ser capaz de falar em público, sejam quais forem as razões subjacentes, então é preciso tomar essa decisão e incluir esse objetivo na nossa lista de prioridades. Querer é poder! O facto de nos sentirmos capazes de nos tornarmos bons oradores ou, pelo menos, capazes de enfrentar públicos sem medo, certamente será meio caminho andado para o sucesso. Essa é uma visão que temos de manter, como o principal objetivo a alcançar.
Mas, como isso não se consegue por artes mágicas, é preciso insistir na preparação e no treino, que constituem o principal caminho para a autoconfiança.
A partir do momento em que decidir levar esta tarefa por diante, aproveite todas as ocasiões que tiver para falar em público. Treine no café: projete a sua voz e peça com convicção “Uma bica, se faz favor!”; treine no elevador da empresa, cumprimentando os seus colegas com entusiasmo: “Muito bons dias meus senhores. Como estão deste ontem?!”; treine na reunião da administração de condomínio: “Boa noite. Sou o morador do 10º. A e habitualmente não costumo falar nas reuniões, mas hoje não pude deixar de...”, ou até mesmo lá em casa com os miúdos: “Meus filhos! Chamei-vos aqui para vos dizer que...”, enfim, treine em todas as ocasiões em que tenha a possibilidade de falar alto, em público.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


1ª Atitude a tomar para desenvolver a autoconfiança:

ANALISAR O COMPORTAMENTO DE OUTROS COMUNICADORES, OBSERVANDO O QUE APRECIAMOS NOS BONS ORADORES
 
Pense um pouco sobre os comunicadores que aprecia. Podem ser políticos, jornalistas, conferencistas, colegas de trabalho, enfim, pense nas características que essas pessoas têm que lhe prendem a atenção e o fazem ser capaz de os ouvir com interesse e entusiasmo. Registe as suas ideias sobre o assunto.

Não sabemos o que lhe vai na alma, e o que mais aprecia quando ouve alguém discursar. Contudo, arriscarmos a dizer que provavelmente não gostará de oradores com estilo muito rebuscado, com discursos extremamente densos e que não acabam mais. A maioria das pessoas o que parece apreciar é a capacidade que algumas pessoas têm em transformar discursos ou palestras em conversas alargadas. São estes oradores que conseguem cativar todo um público, não só pela dinâmica que imprimem às palavras, como pelo facto de estabelecer um diálogo com os espectadores, tornando-os parte ativa da apresentação. 
Um bom orador não se caracteriza por dominar um vocabulário complexo (embora possa ter que o fazer), fazendo uso da arte retórica com o único objetivo de transmitir informação, sem ter o cuidado de saber se a sua mensagem foi recebida e compreendida.
Pensamos que estará de acordo connosco, quando dizemos que preferimos comunicadores que falem connosco e não para nós.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


DESENVOLVER A AUTOCONFIANÇA

A primeira coisa a fazer é fazer o levantamento das dificuldades e reconhecer a origem do problema. Sem saber para onde vamos, como vamos saber se lá chegámos?

Identificou alguma razão concreta para que não seja capaz de falar em público? Tem problemas fortes de gaguez, voz inaudível ou outro tipo de problema vocal, impossível de ser torneado? E ao nível da linguagem, não domina bem o português, tem dificuldades graves com a construção de frases, ou em conjugar os verbos? Em resumo, existe algum obstáculo impossível de ultrapassar que o impeça fisicamente de falar em público? Não? Bom, então quer dizer que o seu medo de falar em público não é um medo real, mas um medo presumível, provavelmente não passará de um problema relacionado com a sua autoconfiança. Então, eliminada esta questão, passamos para a solução do problema: desenvolver a autoconfiança e a coragem o que passa, necessariamente, por muito treino e prática.
Atitudes a tomar para desenvolver a autoconfiança:

1º - Analisar o comportamento de outros comunicadores, observando o que apreciamos nos bons oradores.

2º - Pensar na importância que tem para si ser capaz de falar em público.

3º - Pensar positivo. Predispor-se, mentalmente, para o sucesso.

4º - Aproveite todas as oportunidades para praticar.

5º - Faça uma preparação cuidada e atempada.

6º - Medite sobre o assunto.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


OS BENEFÍCIOS DO MEDO

Embora possa parecer estranho, a função principal do medo é assegurar a nossa proteção. O medo aguça os sentidos, dado que nos permite ficar mais alerta. É o medo que nos ajuda a dar uma guinada no volante para evitar um acidente, ou mesmo colar-nos ao chão para evitar o rebentar de uma bomba. Em certas ocasiões, o medo pode mesmo multiplicar as nossas capacidades. Muitos atores dizem ter necessidade do medo para atuar com intensidade. Os atletas dão o melhor de si nas competições, no momento em que o stress atinge o seu máximo. Acredite: a função original do medo é assegurar a nossa proteção e levar-nos a ficar mais vigilantes. Já ouviu a expressão “o medo tem olhos grandes”? Esta é uma alusão ao facto de, em situações de perigo, apresentarmos essa manifestação fisiológica: abrimos mais os olhos, como que para ver melhor onde se encontra o perigo e podermos agir rapidamente. E tudo isto acontece de forma quase instantânea. De repente, todo o nosso organismos está a postos para ... fugir ... ou entrar em ação. É evidente que o medo, se descontrolado ou excessivo, pode pregar-nos grandes partidas: paralisar-nos no momento de iniciarmos a comunicação, fazer-nos suar “em bica”, dar-nos “volta ao estômago”, entre outros sintomas pouco agradáveis de recordar. No entanto, se devidamente controlado e nas devidas proporções, o medo pode ser canalizado para atuar em nosso favor. Ainda se lembra do nosso personagem “temerário” que não temia falar em público? Se calhar, depois daquele episódio, passou a temer.
Sem medo, a nossa energia poderia ser insuficiente para que a nossa mensagem passasse com convicção e vivacidade. Os grandes atores, os declamadores, os cantores e todos aqueles cuja atividade implica exposição face ao público, referem que é ao medo que vão buscar a força anímica que alimenta o seu carisma. Sem ele, o risco de insucesso seria muito maior.
Por isso, porque não seguir o seu exemplo e utilizar algumas das técnicas por eles utilizadas. Se com eles funciona, não há nenhuma razão para que não funcione connosco.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa


6º - Medite sobre o assunto.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice


DESMISTIFICAR O MEDO DE FALAR EM PÚBLICO

Hoje em dia grande parte das profissões incluem funções que exigem falar em público. Reuniões com clientes, apresentações para responsáveis da mesma ou de outras organizações ou mesmo comunicações na assembleia de condóminos, são situações que se repetem com cada vez mais frequência na nossa vida profissional ou pessoal. E onde reside afinal de contas o problema de falar em público? Porque será que muitas pessoas, arriscaríamos mesmo em dizer a maioria das pessoas, receiam enfrentar um público? Por curiosidade saiba que, para algumas das pessoas, é superior ao medo das alturas, dos insetos, ao medo de andar de avião, ao medo do divórcio, do desemprego, etc.
Na verdade, de que temos receio? O que realmente nos atemoriza? Se pensarmos um pouco sobre o assunto, podemos facilmente perceber que o medo ou receio que sentimos não é real: a nossa integridade física não está em causa; aconteça o que acontecer, ninguém nos vai agredir ou devorar. Mas o problema é que o sentimos como se fosse real, e assim sendo desencadeamos uma série de mecanismos de defesa que, ao invés de nos ajudarem, só complicam a nossa situação. O medo de falar em público pode ser transformado na nossa maior força, desde que o encaremos de uma forma positiva. Por isso mesmo, há que transformar toda a nossa energia interna proveniente do medo em energia positiva, canalizando-a em direção ao sucesso. Aceitar a situação como uma aventura, transformar o receio em força, é o nosso maior desafio para vencer o medo.

Leonor Rocha in Manual "Falar em Público" - Nova Etapa

Índice



 
 
Copyright © Nova Etapa - Todos os direitos reservados. Site Desenvolvido: Cyclop Net - Desenvolvimento de Sites Profissionais