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A ARTE DA GUERRA DE SUN TZU

Um documento sobre a Arte da Guerra é um mistério não só em relação ao autor, como à época em que foi escrito. Porém constitui um dos mais antigos tratados de guerra. A sua finalidade consiste em indicar os principais meios que podem conduzir à vitória. Há quem diga que foi escrito por volta do séc. IV a. C. por Sun Tzu. Diz que a guerra é de extrema importância. Uma questão de vida ou de morte. O caminho para a sobrevivência ou destruição de um país.

 
 Lida com a Mente humana, uma arma decisiva na competição e nos negócios. Daí que as ideias contidas no documento sejam ainda hoje utilizadas na liderança de equipas, em questões estratégicas das organizações e até para enfrentar situações do dia a dia, sempre que se lida com situações complicadas. Não admira por isso que os lideres das mais diferentes áreas o sigam.
 
 Diz-se que aquando da passagem como treinador da seleção portuguesa de futebol, no campeonato da Europa, Scolari se baseou nele para definir a estratégia da equipa.
 
O que admira é a atualidade da obra. Podem substituir-se alguns termos utilizados como por exemplo, “Estado” por organização (empresa)  e “Guerra” por métodos competitivos pois também eles conduzem à sobrevivência, destruição, sucesso ou derrota. “Campo aberto” pode ser entendido como as possibilidades a explorar ou a defender, ou que  há oportunidades que ninguém explorou ainda.
 
 Há empresas que perdem a batalha da liderança do mercado devido à sua fraca competitividade. Ao não entenderem as forças que movem o negócio, não desenvolvem estratégias, para a obtenção de uma situação forte no mercado. Há outras que vencem a batalha dos mercados mas fracassam por não definirem estratégias corretamente (como por exemplo uma marca forte, boa tecnologia, rede de distribuição e logística), daí encontrarem dificuldades em sustentar e renovar a sua vitória inicial.
 
Sun Tzu diz que a guerra se baseia na simulação, devendo por isso usar-se a subtileza a astúcia mais do que a força sem sentido, tendo sempre presente que as circunstâncias exigem flexibilidade e numerosos cálculos.
 
Refere que se  pode vencer através de armadilhas, vaticínios,  ou fingimento. Quando é fraco fingir que é forte.  Quando é forte fingir que é fraco ou fazer com que o adversário pense que é fraco, quando na realidade é forte.        
 

António Mão de Ferro




ADEUS MUNDO CADA VEZ PIOR?


Sinceramente não me consigo lembrar de quantos anos já se passaram, mas foram muitos certamente, em que assisti à venda da colheita de batatas, por um pequeno agricultor.

Foram estabelecidas as condições e quando o comprador quis dar uma quantia em dinheiro para selar o negócio, o chamado sinal, o agricultor ofendeu-se e disse que para ele a palavra valia mais do que todo o dinheiro do mundo.

Para aquele camponês, acontecesse o que acontecesse, o facto estava consumado. Um e outro tinham dado a sua palavra e isso bastava-lhe.

Estive algum tempo sem ver o agricultor e foi com alegria que ainda não há muito tempo o voltei a encontrar. Alguns sinais de velhice, nele e em mim claro, porque, isto o tempo, passa por todos.

Ele há coincidências, então não é que assisti novamente à venda de batatas! Porém desta vez ele exigiu uma quantia em dinheiro para o sinal e frisou com ênfase ao comprador que no momento em que levantasse a mercadoria teria de lhe pagar o restante, e em dinheiro pois não aceitava cheques!

Ao sentir-se observado por mim, justificou-se dizendo: Sabe, desde que me passaram um cheque sem cobertura e ficaram a dever dinheiro aos meus vizinhos deixei de confiar!

São os tempos que correm. A palavra não tem valor e o ser humano não acredita no seu semelhante.

Se a pessoa cair numa rua cheia de gente, é muito natural que a maioria olhe para ela com indiferença. É a desumanização!

O domínio dos acontecimentos é hoje em dia cada vez menor e a incerteza e a complexidade aumentam.

Há mais queixas do que soluções. Na maior parte das queixas parece estar patente uma certa saudade do passado e a primeira situação que referi, do camponês que acreditava no semelhante, é sem dúvida digna de nota e de boa recordação.

Mas não se vai a lado nenhum se se gastar tempo a tentar encontrar uma resposta para os problemas novos, e que a todo o momento vão surgindo, com soluções do passado.
           

António Mão de Ferro



DESMASCARE O FANFARRÃO


“Só valentes, éramos quatro e valentia mais do que a minha ninguém a tinha!”, dizia um. Há eternos gabarolas! Uns porque fizeram isto, outros porque fizeram aquilo. Outros que não fizeram, para mostrarem que eles é que estão certos. Outros porque se calaram quando os outros falaram, e outros porque não fizeram uma coisa nem outra, isto é nem falaram, nem se calaram, afastaram-se.

Mas vamos pôr ordem nisto. Talvez fosse de abrir um parenteses a seguir ao segundo ponto de exclamação do parágrafo anterior e fechá-lo no fim do dito parágrafo. E isto já nem só para facilitar a vida a quem lê, mas também para eu me orientar.

Postas as coisas assim, voltemos ao valentão. Sim, ao que disse que mais valentia do que ele ninguém a tinha. Ele próprio, depois de pensar bem e de falar com os seus botões, lá foi considerando que para ser franco fora admitido num grupo de “bravos”, que o acolhiam como par deles, porém sabia que a sua valentia se devia a um mal-entendido. Só não fugira porque ainda era capaz de ser mais medroso do que os fugitivos.

Muitos daqueles que se apregoam de valentes, se se espreitar bem para aquilo que dizem e seguir os seus hábitos, não o são na realidade.

Porém a descoberta de quem-é-quem nem sempre é fácil. Os que se vangloriam disto e daquilo muitas vezes assemelham-se a autores que, para adiarem a revelação do homicida, só concedem ao leitor escassos indícios.

Por isso, se quiser descobrir o gabarola, trave conversa com o fanfarrão. Elogie-o para que ele se alargue nas explicações, mas não demasiado para ele não considerar que é bajulação e começar a jogar à defesa.

Faça uma pergunta hoje e refaça a pergunta amanhã, com palavras diferentes claro, de maneira que se ele mentiu, seja levado a contradizer-se. Porque os que tentam passar a imagem daquilo que não são, esquecem-se dos disparates que disseram e inventam outros opostos no dia seguinte. 

Se ainda não o tiver desmascarado, mostre-se interessado no que ele disse, mas finja que pouco percebeu de modo a que conte uma segunda vez. Repita o que ele disser como se tivesse compreendido, mas cometendo erros para que ele seja levado a corrigir, explicando tintim por tintim, as coisas que tinha pensado omitir.
             

António Mão de Ferro




AS COISAS NÃO SÃO O QUE PARECEM


Há quem diga que as coisas são o que são e há mesmo quem refira, perante certas circunstâncias, que o que se observa é tão límpido como a água.

Mas na realidade as coisas não são bem assim. Já nem falo de certos políticos que dizem que são muito honestos, que fazem isto e mais aquilo, que nunca farão o que o outro fez e que quando menos se espera, logo que têm oportunidade, fazem precisamente o contrário daquilo que disseram. Não são só os políticos e os troca-tintas, que evidenciam que as coisas não são como são. Veja-se, por exemplo, as cores. Não são elas afetadas, quer pela luz que nelas se reflete, quer pelo olho que as fixa? Quem, por exemplo, olhar as cores da paisagem neste momento, e as observar novamente daqui a algumas horas, ou amanhã, notará muitas diferenças.

A maneira como é interpretada a história também varia de acordo com quem a escreve, daí que não erraremos se dissermos que ela tem tanto de clara como de escura. Também o modo de olhar e a expressão do corpo têm um sem número de interpretações. Ao ponto de, sem se pronunciar palavra, alterarem os comportamentos de quem os observa e de fazer, por exemplo, desistir um jogador de xadrez, de uma jogada que podia ser vencedora.

O que escrevemos de modo algum pretende desresponsabilizar a falta de caráter que revelam os que se comprometem e não cumprem, que dizem agora uma coisa para a seguir dizer o seu contrário. A dissimulação talvez já venha desde que o homem, ou a mulher, claro, abriram os olhos. Faça-se aqui um parenteses para referir que desde que nasceram, é uma maneira de dizer, pois foi seguramente uns meses mais tarde. 

Logo que se aperceberam de que estavam nus, procuraram cobrir-se mesmo à vista do criador. Assim quase que podíamos dizer que a diligência de esconder nasceu com o próprio mundo. Quem sabe se a curiosidade não terá também nascido nessa altura.

O ser humano tem curiosidade por tudo aquilo que se oculta. Talvez seja por isso que há quem diga que as coisas confidenciais de uma empresa devem ser afixadas no placard onde estão circulares ou normas de serviço, visíveis a todo a gente, mas que poucos leem.  Mas se essa mesma documentação estivesse num lugar onde fosse dada a ideia de que era secreta, provavelmente despertaria muito mais curiosidade.

Dissimular e fantasiar não podem ser consideradas como fraudes pois, ao não mostrarem as coisas como são, não significam formar o falso. Mas lá que dão algum repouso ao verdadeiro, dão.
             

António Mão de Ferro



A EDUCAÇÃO FORMA OU DEFORMA?


Com uma boa dose de ingenuidade, há quem afirme que a educação deve contribuir para intensificar a compreensão entre as pessoas  e encaminhar o mundo para  um tempo de paz e prosperidade sem violências e desconfianças.

A ideia de que a educação  pode ser a “redentora da humanidade” foi  sendo substituída por argumentos que vão desde os que dizem que ela é um instrumento de manipulação, até aos que são da opinião de que não passa de um aparelho reprodutor da sociedade e da elite dominante que através dela, difunde as ideias politicas de uma determinada classe.

Não admira por isso que as propostas de mudança, de redefinição e reformulação da educação, apareçam com uma certa naturalidade.

Também  as funções que o docente deve desempenhar, assim como o perfil que deve possuir, são objeto de discussões  que na maior parte dos casos não conduzem a coisa nenhuma.

Porém independentemente das opiniões, tanto os que defendem os modelos educativos, como os que os atacam parecem convergir  na necessidade de encontrar uma pedagogia, aberta à evolução e à mudança.

Uns e outros parecem defender a utilização de métodos e processos que assegurem aos participantes uma adaptação ao presente e que seja ao mesmo tempo válida para o futuro, e que apesar da sua incerteza , contribua para a formação de pessoas capazes de reagir positivamente aos contratempos da vida moderna.

A divergência também não é grande no que diz respeito à utilização dos métodos pedagógicos e tanto os que defendem ideias mais conservadoras como os das mais progressistas utilizam aqueles que lhes façam correr menos riscos.

Assim numa boa parte das vezes tanto os discursos dos dirigentes , como os  dos docentes, não correspondem por norma às suas práticas. Estes sempre que isso lhes convenha, para controlarem mais facilmente os participantes e eventuais conflitos  que surjam, não têm problemas em recorrer com mais frequência aos métodos tradicionais sem que considerem que isso significa uma atitude de rigidez ou uma ideologia conservadora.
               

António Mão de Ferro




APROVEITAR AS OPORTUNIDADES


O ceticismo pode tornar-se atrofiador quando é impeditivo de analisar se isto ou aquilo é verdade, ou de afirmar a sua falsidade.

Os céticos, na maior parte das vezes, não são capazes de tomar opções. Como não são capazes de decidir por isto ou por aquilo, dizem que estamos na era do vazio. Não sabem bem o que dizer e por isso entendem que o que se observa não augura nada de bom. É como se não houvesse quaisquer vestígios de chuva, o céu estivesse azul e eles vissem tudo negro.

Os que não sabem se sim nem se não retiram energia e entusiasmo a si próprios e fazem concessões às dificuldades, sendo frequente dizerem ”se tivesse pensado nisso antes” ou “se tiver a ideia amanhã”.

A pensar no que lá vai ou no que há de vir, as ideias bem sucedidas passam à roda. Parecem ter asas, a ocasião aparece rapidamente e desaparece ainda mais aceleradamente. Vai-se embora, e muito raramente volta. Verdade se diga que a boa ocasião de nada serve aos que a não conseguem apanhar!

Mas o problema é que os que a deixam fugir não se conformam e em vez de procurarem novas oportunidades ficam à espera das que já passaram. Têm esperança de que elas saiam de algum esconderijo, daí andarem no seu encalce e prepararem-lhe emboscadas. Sentem-se angustiados e não pensam noutra coisa.

Os que se dão conta das oportunidades quando já não as podem apanhar, e ficam esperançados em que elas apareçam até podem ser bons indivíduos, dizer que têm  ambição, mas não passam de ingénuos.

É verdade que os tempos que correm estão cheios de incertezas, mas elas podem tornar o trabalho aliciante, quebrar a monotonia e proporcionar o aparecimento de novas oportunidades, porque ainda há muitas por descobrir. Porém é preciso que sejam agarradas no momento certo.

               

António Mão de Ferro




AS MUDANÇAS NA DOCENCIA

As alterações no meio familiar, nos contextos de trabalho, nos organismos oficiais, no acesso à informação e nos modos de comunicar, modificaram as relações interpessoais e as atitudes dos que aprendem, o que vem exigir mudanças na pedagogia.
Aquilo a que se assiste não pode deixar de gerar insegurança nos docentes que foram preparados para, num contexto de estabilização, utilizarem um determinado modelo.
Como se isto não bastasse defrontam-se com exigências de diversa ordem que por vezes se contradizem, e que tornam difícil a definição do caminho a seguir, tanto mais que são cada vez mais díspares as respostas dos diferentes intervenientes, estado, sindicatos, e, por exemplo, associações de pais, sobre o modo como encaram a educação.
Contudo, uma coisa não parece ser discutível: Ao docente exige-se que seja competente em termos profissionais e pedagógicos. Quer se queira quer não, o discente, em maior ou menor grau, acaba por se submeter àquilo que ele lhe diz para fazer.
A sua influência afirma-se quando emite as suas opiniões, dirige as atividades quando critica o comportamento de alunos ou formandos, ou quando encoraja a participação. Ele tem a possibilidade de intervir de modo aberto, fechado, episódico ou neutro. Através da sua postura pode ainda aparentar surpresa e despertar expetativas, interesse ou deceção.
A maneira de gerir o silêncio pode inspirar diversas interpretações, como facilitar a reflexão, provocar a atenção, solicitar reações ou introduzir períodos de acalmia ou de rutura.
Tudo isto requer que o formador, ou o professor, para além de serem excelentes profissionais, tenham consciência da importância que o seu comportamento exerce e o utilizem de maneira que vá de encontro às necessidades que os participantes têm de aprender a resolver os seus próprios problemas.
Mas há outro aspeto que não pode ser ignorado pelos profissionais que se dedicam ao ensino ou à formação, tanto mais que ele irá trazer a maior de todas as revoluções alguma vez verificadas: O e-learning vai ter um impacto na vida de professores e formadores que muitos ainda parecem não se ter dado conta. As novas tecnologias estão a revelar que os que aprendem demonstram mais competências na área dos saberes digitais do que alguns docentes. Se estes não se atualizarem constantemente, poderão sofrer uma erosão difícil de reparar.
               

António Mão de Ferro


TEORIA OU PRÁTICA?


Apesar de vivermos tempos contraditórios de grandes palavreados e ainda de maiores incertezas, em que se fala acerca de tudo e de nada, de alguma coisa ou de coisa nenhuma, de aspetos importantes ou sem importância, porque não escrever sobre o que os práticos dizem da teoria e os teóricos da prática?
Os defensores da prática dizem que ela é o único conhecimento com valor e que a teoria não conduz a nada. Entre outras considerações, afirmam que teoricamente um pássaro não voa. Segundo eles, os teóricos constroem grandes edifícios e acabam por viver ao lado em casinhotos. Tal como Goethe, afirmam que a teoria é cinzenta enquanto a árvore dourada da vida é verde, e acrescentam que “na prática, a teoria é outra”.
Porém, por sua vez, os adeptos da teoria afirmam que a prática se transforma rapidamente numa moda que viaja entre o teórico e o trivial, sem distinguir um do outro. As respostas dos teóricos aos práticos traduzem-se num encolher de ombros ou então em comentários evasivos, longos, complexos, e sem que na maior parte dos casos respondam às questões postas. No entanto, não parecem ter qualquer dúvida em afirmar que sem teoria a prática não tem por onde se guiar.
Certamente que nestas maneiras de ver de práticos e teóricos estão implícitas algumas contradições da sociedade, que privilegia a separação entre trabalho intelectual e trabalho manual e, claro, a teoria da prática. Talvez por isso se continue a assistir a um virar de costas entre os homens das empresas e os das universidades.
Mas será possível a teoria e a prática viverem uma sem a outra? Ou será que elas se completam?
A teoria fornece razões e princípios, é descritiva. A prática consiste numa série de comportamentos concretos. Mas será que há necessidade das duas? - perguntam os adeptos de uma e de outra!
As discussões entre teoria e prática até podem ter alguma razão de ser. Se se discute tudo, porque não isto? Mas uma coisa parece certa. Uma teoria sem prática pode não passar de uma razão abstrata e uma prática que não se oriente por uma teoria pode resultar numa atividade ao acaso.
               

António Mão de Ferro



PENSE E AVANCE

Nesta conjuntura de turbulência, de incertezas, é necessário perceber o ambiente em que se vive e acima de tudo pensar antes de agir. Porém, pensar parece ser para algumas pessoas um trabalho altamente complicado e muitas deixam de o fazer, sem se aperceberem de que isso as faz perder oportunidades. Verdade se diga que as informações que de todo o lado chegam às pessoas torna difícil ter pensamentos coerentes, porque o mundo que é refletido nas notícias é demasiado complicado. Daí que muitas vezes a pista que está a ser seguida seja posta em causa devido a um acontecimento noticiado.

Por isso há quem opte por não ler nem ouvir notícias, mas, para uma pessoa que tem que tomar decisões, estar alheada do que se vai passando é estar a perder terreno em relação aos concorrentes. Se se esquivar a acompanhar o que vai pelo mundo pode nem se aperceber de que o tempo gasto a utilizar soluções do passado para problemas atuais, não só pode ser uma pura perda de tempo, como pode deixar escapar o concorrente e quando se der conta já ser tarde para o acompanhar.

Por muito paradoxal que pareça, devido à situação a que a crise está a conduzir, verifica-se que a generalidade das pessoas tem pouca paciência para ouvir lamentos e desabafos dos que fracassam. É como no futebol. Os adeptos das equipas preferem muito mais que a sua equipa, ainda que jogue mal, ganhe por um golo de diferença, mesmo que metido com a mão ou fruto de um penalty mal marcado pelo árbitro, do que fazer uma grande exibição, dominar completamente o adversário, atirar dez vezes a bola à trave ou à barra e perder por 1 a 0. Ninguém quer ser adepto dos que perdem ou dos que têm azar, mesmo quando compreendem que muitas vezes isso se deve à pouca sorte. Preferem largamente admirar os vencedores, ainda que à custa de batota!

Estar com os vencedores e ser um vencedor provoca, no entanto, ansiedade. A velocidade com que tudo muda é de tal forma que, numa boa parte dos casos, é natural ainda não se ter entrado no mercado de trabalho e os conhecimentos adquiridos na faculdade já estarem obsoletos.

Mas é importante que se seja vencedor e para isso deve evidenciar-se a capacidade de pensar, elaborar cenários. Descobrir oportunidades e ameaças. Definir objetivos e refletir sobre os caminhos a seguir no momento certo, sempre tendo em conta que pode não haver uma linha reta para os atingir. Não se pode perder tempo e por isso uma vez definido o que se pretende deve tudo fazer-se para lá chegar. E como já dizia não sei quem, “uma grande caminhada começa com um passo”!

Se já definiu onde e como quer chegar não espere mais, dê o passo e não pare.
               

António Mão de Ferro


ATENDER O PUBLICO


É facilmente aceite a ideia de que o modo como se lida com o público é de uma importância fundamental. Há muitas pessoas que são clientes de uma determinada empresa porque se sentem bem atendidas e apreciam o modo como um funcionário comunica com elas.

E no entanto, em algumas organizações, se há aspetos a que tem sido dada pouca importância é ao modo como se atendem as pessoas. Já nem falamos da administração pública onde nalgumas repartições o utente é tratado como se de um malfeitor se tratasse. Se telefona quem o atende, vai passando o telefone de uns sítios para os outros, até a chamada cair. Depois há os que recebem os utentes com maus modos, a mascar pastilhas ou sem sequer olhar para eles, por exemplo. Há empresas privadas onde também quem atende não tem a preparação que o lugar exige. Muitas vezes quem é encarregado de desempenhar essas funções não é uma pessoa vocacionada para o fazer, mas que foi colocada como recurso.

Noutras organizações o atendimento ao público é considerado de grande importância uma vez que estabelece a primeira imagem da empresa. Por isso, as empresas bem-sucedidas fazem formação e dão instruções sobre a maneira de falar ao telefone para pessoas com diferentes caraterísticas. Assim, se por exemplo o cliente fala de um modo pausado, o atendimento deve ser também pausado, mas se ele falar muito depressa quem o atende deve tentar falar num ritmo aproximado.

Atender as pessoas exige capacidade para estabelecer e manter o entendimento mútuo entre uma organização e os que com ela contatam.

Não é necessário ter um diploma universitário, mas terá de estar por dentro dos assuntos, ser inteligente, autoconfiante, bom comunicador, sentir que investe na vida e que tira proveito dela.

Ser um bom comunicador nem sempre é fácil porque num processo de comunicação aparecem inúmeras dificuldades. Cada mensagem tem um significado para quem a emite e para quem a recebe, mas estes nem sempre são os mesmos. E por vezes surgem tantos problemas de interpretação que as pessoas ficam baralhadas, pelo que é preciso bom senso para ultrapassar certas situações.

O bom profissional de relações públicas gosta das pessoas e sente-se satisfeito por servi-las. Por isso consegue ultrapassar as imprecisões na comunicação com diplomacia.
               

António Mão de Ferro




O DILEMA DO PRISIONEIRO

Na formação profissional recorre-se com frequência a casos para que os participantes atinjam os objetivos, sem ser necessário recorrer a teorias muito elaboradas, e aprendam de modo divertido.

O “dilema do prisioneiro” pode fazer-se com dois grupos ou com duas pessoas, mas de modo a que uns não saibam a informação que é dada aos outros. Dá-se a seguinte informação: “Por serem suspeitos de um crime, estão presos. Contudo e porque a polícia não tem provas suficientes para vos condenar é-vos oferecido o seguinte acordo:

- Se um testemunhar contra o outro e o outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice que ficou em silêncio, cumprirá 10 anos de cadeia.
- Se ambos ficarem em silêncio, só poderão ser condenados a 6 meses cada um.
- Se ambos traírem o companheiro, cada um leva 5 anos de cadeia.“

Cada prisioneiro toma a decisão sem saber que decisão o outro vai tomar. Nenhum tem a certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como irá reagir cada um?

Será que ambos vão cooperar para minimizar a pena ou ser que algum, confiando no silêncio do outro, trairá o colega para ganhar a liberdade? Este caso é o exemplo de um problema onde é necessária sintonia e discernimento na tomada de decisão, pois só dessa forma, os dois poderão ganhar. Nesta situação, como em outras, supõe-se que cada jogador, de modo independente, quer aumentar ao máximo a sua própria vantagem sem se importar com o resultado do outro, chegando ao ponto de o trair, quando ambos poderiam obter um resultado melhor se colaborassem. E cada jogador é incentivado pelos animadores a defraudar o outro.

O que menos importa para os objetivos são as penas de prisão, pois o que se pretende é analisar como é feita a tomada de decisão quando a confiança e a traição fazem parte da estratégia.  Nos negócios e no interior das organizações a confiança e a traição também poderão acontecer.

Daí que depois dos resultados do caso, sejam debatidas situações que se passam nos locais onde os participantes trabalham e o modo como tirar partido delas.
               

António Mão de Ferro



RESTITUIR A ESPERANÇA


Churchil, disse que a democracia é o pior regime excetuando todos os outros. Por muitos defeitos que a democracia tenha é sem dúvida um bem a preservar. Todavia seria de supor que todos nela participassem, quanto mais não fosse, através do voto. Porém o que se verifica é que quase metade dos que poderiam votar não o fazem.

Convém desde já esclarecer que não se pretende de modo nenhum fazer a menor crítica àqueles que votam ou aos que podendo fazer não o fazem. Parece ter-se chegado a uma situação em que as pessoas têm grandes dificuldades em decidir em quem votar. Olham à sua direita e à sua esquerda e não vêm diferenças. As coisas funcionam alternadamente. Num período uns e noutros períodos outros, mas os mesmos! O que sucede ao outro, culpa-o por ter deixado tudo mal e o outro quando lhe sucede, acusa-o do mesmo!. Quando estão na oposição têm maneiras de resolver tudo e quando lá chegam é o que se vê, cada um parece fazer pior que o outro!

Tanto os que estão no poder como os que os substituem revelam não ter qualquer respeito pelo que dizem ou prometem.  Arranjam sempre desculpa,  ou porque interpretaram mal as suas palavras ou porque quando chegaram as coisas estavam  piores do que eles pensavam!

Perante tamanha falta de escrúpulos dos que dirigem,  muitos optam por não por os pés ao caminho para votarem em quem quer que seja. Ficam submetidos à vontade dos que lá vão. Deixam aos outro que decidam por eles. Um ou outro tanto lhes faz. Por isso em vez de atirarem uma moeda ar para decidirem em quem votar, poupam-se ao trabalho de escolher cara ou coroa!

Perante isto a situação está a degradar-se sendo necessário o aparecimento de novos atores, para possibilitar novos começos que restituam a esperança aos que já a perderam e aos que a vão começando a perder.
               

António Mão de Ferro



NOS CORNOS DO TOURO


Há quem diga que certas pessoas, orgulhosas dos seus canudos, têm atitudes arrogantes que muitas vezes levam a fracassos financeiros. Será que os que dizem isto estarão a fazer a apologia da ignorância? Certamente que não. Eles estão a chamar a atenção para um aspeto que passa despercebido nos estudos. Nalguns casos, pessoas formadas saem da faculdade para a gestão das empresas e como até aí não fizeram mais nada do que estudar, ignoram por completo o que é o mundo do trabalho. Debateram teorias atrás de teorias, falaram de centenas de autores, mas não cuidaram de perceber o modo como se move o tecido empresarial e a evolução dos mercados.

É por isso que muitos gestores se precipitam para os cornos do touro, convencidos da sua sapiência. O problema é que ao fazê-lo arrastam consigo colaboradores da empresa. Esquecem-se de que o problema crucial do nosso tempo é ter um pensamento apto a responder ao desafio da realidade. Um pensamento que tenha em atenção as interações e implicações dos atos que tomam, considerando os múltiplos fenómenos de uma organização e das suas realidades, que são ao mesmo tempo solidárias e conflituais. Por se esquecerem disto, mesmo quando estão a sangrar por todos os lados e vêm de rastos os que levaram com eles para a cabeça do touro, continuam a apregoar que têm razão. O touro é que não colaborou! Grande malandro!

Procuram resolver as situações baseados em teorias que leram em livros ou que lhes foram impingidas, convencidos de que estão a atuar bem. Porém tomar decisões não é o mais complicado, o mais difícil é a eficácia da sua concretização.

Os tempos estão difíceis e os paradigmas alteraram-se muito. A velha ordem está a dar lugar a uma outra em que todos os colaboradores têm que intervir, mesmo que não estejam totalmente satisfeitos com o rumo da empresa. São precisas pessoas especializadas no impossível, porque as coisas só o são até que alguém as faça pela primeira vez. Agora mais do que nunca, as empresas precisam de génios, porque os génios não vêm as coisas como normalmente são vistas.

Mas por muita genialidade que exista há uma coisa que é preciso ter presente: antes de partir para a cabeça do touro, há que ter em conta os recursos disponíveis e as caraterísticas e competências dos que em conjunto geram sinergias, para que a tarefa não os deixe a sangrar e a terem como única possibilidade a de optarem pelo chifre sobre o qual querem morrer!
               

António Mão de Ferro




A PRIMEIRA VEZ


Quando se aproxima o dia em que o formador vai dar formação pela primeira vez, é natural começar a sentir alguma tensão. Quando for para a cama na véspera é possível que tenha dificuldade em adormecer e que pense: E se me atrapalho? E se me fazem alguma pergunta a que eu tenho dificuldade em responder? E se tenho uma falha momentânea? E se me atrapalho com o uso dos recursos didáticos? E se, e se ?

Com tantas preocupações, não admira que os pesadelos o atormentem vendo aqueles a quem dá formação a reclamar, apáticos ou a sair da sala a dizer que não aguentam a maneira como está a conduzir a sessão e se veja atarantado, sem saber o que há-de fazer, dando respostas sem nexo, só lhe apetecendo fugir, desaparecer.

O toque do telemóvel programado para a hora a que quer acordar virá aliviá-lo daquela tensão. É possível que acorde assustado, cheio de suores frios, a cabeça meio esquisita. Mas deve ter determinação, levantar-se, tomar banho, vestir uma roupa que lhe assente bem, tomar o pequeno-almoço e dirigir-se à formação.

Na sala, as primeiras palavras custam um pouco a sair. A pulsação bate mais depressa, a respiração precipita-se. Em vez de se deixar ir abaixo, respire fundo e concentre-se para entrar em ação. Aproveite a situação e comece a falar com mais fluência, a expressar-se com maior intensidade do que em outras circunstâncias. Sinta que a tensão emocional lhe favorece a comunicação e tenha o cuidado de pensar que está à altura do que os participantes esperam. O contrário pode trazer-lhe alguma angústia.

De acordo com as suas caraterísticas, o seu estilo, os seus conhecimentos, procure adaptar-se ao nível dos formandos, à natureza dos objetivos, à sala de formação, ao equipamento disponível, ao número de participantes e ao tempo de que dispõe.

Acredite que as coisas vão correr bem e terá um “dia D” repleto de êxitos. No final estará cansado mas feliz. A sua estratégia, baseada nos seus conhecimentos, resultou com certeza, porque o sucesso não acontece por acaso!               

António Mão de Ferro



NÃO DESISTIR DE SER QUEM É

Enquanto se incentivam as pessoas para irem viver para as zonas do interior, esvaziam-no de Instituições, como escolas, hospitais, tribunais e repartições de finanças.

Apesar de tudo, e como os acessos hoje estão bastante mais facilitados e uma grande parte da população dispõe de carro próprio, não admira que a opção de mutas famílias passe pelo regresso ao campo, seja para trabalhar na agricultura, seja para trabalhar em profissões liberais ou naquelas onde seja possível laborar sem a necessidade de estar presente na empresa. E cada vez são mais as profissões que o permitem.

Muitas das pessoas fugiram do campo porque, para além das poucas oportunidades de trabalho, também se encontravam aborrecidas com o controlo social que ali era exercido. Toda a gente sabia da vida uns dos outros e muitas não se sentiam muito satisfeitas por serem objeto de crítica da vizinhança e de estarem sujeitas a mexericos.

Assim a vinda para uma grande cidade dava-lhes uma certa sensação de liberdade e de poderem fazer o que quisessem sem serem alvo de falatório. O seu desejo de fazer a sua vida sem controlo social e sem críticas era tão grande que ninguém fez o mais pequeno esforço para estimular as relações de vizinhança e daí que se viva em prédios com vários andares sem que nalguns casos se saiba quem vive no andar de cima ou no de baixo e mesmo o que mora em frente também mal se conhece. As pessoas queriam autonomia.

A vida nas grandes cidades dá essa autonomia, mas carateriza-se por um grande alheamento dos outros. Se uma pessoa tem o azar de necessitar de ajuda está tramada, pois é capaz de se passar por um semelhante caído na rua e nem se lhe prestar auxílio. Uns porque nem reparam, outros porque vão cheios de pressa, outros fingem não ver e outros ainda porque acham que “quem cai, cai e quem vai, vai”! No campo isso não acontece.

Para fugir a este isolamento muitos voltarão às origens e outros estão agora a fazer parte de várias associações, religiosas, políticas, etc. e graças às redes sociais a organizar encontros com grupos de antigos amigos, colegas de escola, de trabalho etc.

As pessoas anseiam agora por conviver, por fazer parte de grupos. Isso é salutar, mas é importante que não desistam da sua própria personalidade para se protegerem no meio de um grupo, como faz um camaleão com o seu meio ambiente.

Desistir de quem se é, é tornar-se “em material perfeito” para ser conduzido por poderes persuasivos e meio caminho andado para se poder vir a entregar a poderes totalitários.


António Mão de Ferro




ABANDONAR AS ORGANIZAÇÕES PERDEDORAS

O mundo continua a ser um palco sem limites para descobertas. Mas para encontrar o que ainda está para vir é preciso enfrentar resistências, remover obstáculos, acreditar que o impossível é possível mesmo que outros pensem o contrário, ser capaz de deixar de batalhar por organizações que estão à beira de fracassar e partir para outras situações mais favoráveis e onde haja lugar para crescer.

Para encontrar novos caminhos, é preciso evitar trilhar os velhos e ser capaz de criar rumos diferentes para chegar a onde outros ainda não chegaram. Para isso é preciso ter presente que a resistência ao novo e a tendência para a reformulação do estabelecido são sintomas de estagnação, que necessitam de ser identificados para poderem ser ultrapassados. Na maior parte dos caso já não se pode acrescentar nada ao que ficou para traz.

Para crescer é preciso evitar o gripar das máquinas, e haver um elevado empenho das pessoas. Se isso não acontecer tem que se partir do zero, criar novas equipas, ainda que possam ser integradas por alguns elementos das equipas anteriores.

Transformar o processo de inovação numa rotina que apoia o que é potencialmente vencedor, e deixa cair os perdedores. Por isso os estrategas empresariais têm que manter a aceleração, ainda que seja para criar ruturas em organizações que já não funcionam ou que o mercado já não procura.

Em vez de continuar agarrado a velhos paradigmas, ou aos sucessos do passado, o empreendedor tem que estar pronto para avançar, disponível para cometer erros, desafiar as convenções, assumir riscos, aceitar cada vez mais desafios, contornar as regras, mover-se nas margens e empurrar cada vez mais para a frente, até conseguir o que deseja.

Definir uma nova visão, porque ela ajuda a concretizar metas e permite visualizar com antecipação o êxito. Ao desenhar-se uma visão, assume-se um compromisso e define-se uma meta para a qual todos os esforços devem convergir para que seja alcançada em primeiro lugar, porque o segundo não ganha medalhas iguais às do primeiro.

É preciso não esquecer que a mudança paradigmática se faz contra as experiências e as  crenças normais e que quando se tentam abalar as crenças, sofrem-se reveses, mas se os propósitos que as tentam demover forem autênticos, resistirão.


António Mão de Ferro




REALIZAR-SE COMO PESSOA

Numa altura em parece estarmos a assistir a uma quebra de valores e situações com cada vez menos sentido, é bom que os docentes considerem aspetos que tenham como preocupação despertar e estimular a procura da verdade, o pensamento próprio, a descoberta da integridade e da consciência, a liberdade interior, a autonomia e a dignidade do indivíduo.

Quem forma, para além de desempenhar bem as competências necessárias para ensinar, deve ser capaz de estimular os outros para tirarem o maior partido das suas potencialidades.

O  formador e o professor, deverão criar condições para que o indivíduo se vença a si mesmo, porque muitas vezes é dentro dele que encontra os maiores obstáculos para ser bem sucedido. Sempre que a pessoa consegue vencer as suas contradições, os seus bloqueios, os seus pensamentos negativos,  está a conseguir vitórias. Se desiste pode ser arrastada para o   abismo.

Isto não significa que os programas de ensino tenham que ser sempre definidos de acordo com a vontade dos participantes e não é verdade que eles só aprendem o que querem aprender. Todos aprendemos coisas sem vontade de o fazer.
 
Evidentemente que quando na formação se organizam programas para uma determinada empresa,  deve ter-se em conta a cultura e as práticas dessa empresa e ir de encontro às necessidades que os colaboradores sentem.
 
Porém é normal e até desejável que em conjunto com a organização a quem a formação é dirigida, se organizem programas que “injetem” conhecimentos que conduzam a outras maneiras de fazer e agir. Isso fará com que os indivíduos e as organizações disponham de mais elementos para poderem julgar e tomar decisões.

Assim, para além de se  considerarem os aspetos relacionados com as necessidades do posto de trabalho e abordar conhecimentos, que deem um contributo para que se produza mais e com mais qualidade, também deve haver a preocupação de criar condições para que  o indivíduo ultrapasse os seus bloqueios e se realize como pessoa.
 
No entanto o colaborador não deve estar á espera que a empresa onde está inserido e a formação que ela lhe proporciona, façam tudo. É preciso que se envolva e encare a formação como um meio que contribui para o ajudar a realizar-se pessoal e profissionalmente.

António Mão de Ferro



E O SEXO COMO VAI?

A vida agitada faz com que se ande numa roda viva. A maior parte das pessoas almoça de pé ao balcão ou, se há mesa, senta-se junto de outras pessoas mesmo que não as conheça. As conversas são ouvidas por todos. Um destes dias, duas jovens, à volta dos 30 anos, conversavam: Bolas, que aqueles dois ao fim de um mês de se conhecerem já estão a viver juntos. Não perderam tempo!

Uma dizia: Eu que já ando com ele vai para 6 meses e com ele a pressionar-me para vivermos juntos, ainda não me mudei, acho que ainda é cedo. Para quê tanta pressa? (não confundir esta conversa com a do político que dizia: - Qual é a pressa? Qual é a pressa?)

E continuava: Eu vivo em casa própria e ele também, não estamos a pagar renda porque são dos nossos pais, o que quer dizer que não íamos reduzir as despesas com a casa.

Foi a vez da outra dizer: Sim, não estou a ver por que é que hão de ir viver juntos. Se fossem como eu e o Zé... ele estava  a pagar uma prestação e eu outra. Assim há vantagem, por isso ao fim de quatro meses começámos a viver juntos.
E que tal se estão a dar?

Muito bem! Já vivemos juntos há três anos e tirando um período de seis meses seguidos em que não dormimos juntos, nem havia nada entre nós, as coisas compuseram-se. Agora está tudo a correr dentro da normalidade. Claro que há altos e baixos, como em qualquer relação, mas está tudo bem.

A amiga perguntou-lhe: Então e em termos sexuais, como estão as coisas?

Estão a funcionar bem. Claro que não é todos os dias, algumas pessoas acham que eu sou muito sexy. Uso blusas curtas e mostro um bocadito da barriga e, claro, tenho um corpo bem feito. Por me verem assim muitos pensam que isto é todos os dias. Bom, também não é só de 15 em 15 dias!
Seguiu-se um silêncio enigmático e uma vez este passado a conversa mudou de rumo.

Então e a nossa amiga Mariazinha como vai? disse uma.
Agora não a tenho visto, mas acho que anda bem, o marido dela é uma pessoa muito calma, com muito bom aspeto e que lhe dá bastante apoio.

Olha, para mim, ele parece-me um autêntico panhonhas, disse a outra.

Enfim.  Conversas ligeiras… como o almoço!


António Mão de Ferro




PARA ONDE VAI A EDUCAÇÃO?

A diminuição do número de alunos e os cortes nos valores disponibilizados pelo estado, estão a fazer com que os sistemas de ensino passem por constrangimentos, que obrigam a fazer alterações nos modos de perspetivar a educação. Precisam-se por isso de ideias audaciosas.

Porém, não andaremos muito longe da verdade se dissermos que os que têm que decidir afirmam que é desejável desenvolver uma mentalidade crítica, duvidar das ideias feitas, escutar ativamente e ser capaz de resolver problemas quando eles surgem.

Todavia, quando comparamos o que é dito com o que é feito, verificamos que não se conseguem dar provas do que se defende, quando se reflete sobre os sistemas de formação e educação. Nalguns casos, verifica-se mesmo que alguns docentes nem sequer têm paciência para se ouvirem uns aos outros.

Mas embora seja difícil ouvirem-se e terem dificuldade em chegar a acordo sobre as metodologias que uns e outros perfilham, as organizações de que fazem parte fecham-se muitas vezes no poder do seu conhecimento e, ao fazê-lo, reforçam uma atitude imobilista.

Os que têm que refletir sobre o ensino, sejam organismos estatais, associações, sindicatos ou outros grupos, devem ganhar consciência dos seus deveres e do risco que correm de se auto devorarem se não forem capazes de ter uma prática que se coadune com as teorias que defendem.

As respostas e propostas que se fazem esquecem muitas vezes as experiências passadas, e acabam por cometer os mesmos erros. Estamos a atravessar uma fase onde se minimiza o conhecimento adquirido e se ignora a situação atual em detrimento das projeções do futuro. Talvez por isso se assista a uma sucessão de insucessos.

Fazem-se projeções e não se enfrentam os problemas de frente. Não é por falta de coisas escritas. Produzem-se escritos incalculáveis que muito poucos leem e publicam-se grandes relatórios provavelmente para chinês, paquistanês ou checheno ver pois por cá ninguém liga.

Por muito que se escreva ou diga, é importante que se perceba que não é possível os sistemas de ensino terem sucesso, se defenderem ideias e os seus agentes não conviverem bem com elas.


António Mão de Ferro




OS EFEITOS DO PROGRESSO

Na minha casa nunca houve mais do que um televisor. Sempre fui de opinião de que a televisão corta o diálogo e é um entrave ao relacionamento. Está só num local e quando a família a quer ver, pelo menos está junta.

Respeito naturalmente todas as pessoas que consomem televisão e que têm aparelhos espalhados por toda a casa: na sala de estar, na de jantar, na cozinha, nos quartos do casal, dos filhos, no escritório, na casa de banho, enfim em tudo o que é divisão da casa e que varia conforme as posses de quem a habita.

Não concordo nem um bocadinho, com os que comparam o que se passa à volta da televisão com o que se passava à lareira antes da televisão existir.

À volta do lume as pessoas sabiam o que se passava com elas, falavam de vários assuntos. À volta da televisão as pessoas veem o que lhes querem transmitir, sabem o que vai pelo mundo, mas na maior parte das vezes não sabem o que se passa com os que estão ao seu lado. À volta do lume as pessoas falavam, refletiam, dialogavam eram ativas. À volta da televisão, não falam não discutem, não refletem. São passivas.

No entanto sempre achei que a televisão é um meio que contribuiu fortemente para o desenvolvimento dos povos e das nações e que é importante criar condições para que o indivíduo aproveite esse enorme potencial , mas sem deixar de tomar consciência de que ela não é mais importante do que as pessoas.

Mas se o leitor ainda está a ler, certamente que já deve estar a perguntar: - Mas porque é que este indivíduo vem falar neste assunto quando há outros meios que consomem, especialmente aos jovens, muito mais tempo do que a televisão?!

Como diz o ditado, atrás de mim virá quem de mim bom fará, constata-se que com a televisão ainda era possível juntar a família no mesmo espaço e saber o que cada um estava a ver, mas com os computadores isso tornou-se impossível. Cada um se isola no seu canto e chega-se ao ponto de duas pessoas sentadas no mesmo sofá comunicarem através da internet!

Tal como a televisão a internet revolucionou o mundo mas cortou o relacionamento face a face, muito mais que a televisão. São as consequências do progresso! Mas como conseguiríamos viver sem uma e outra?

António Mão de Ferro



SE É BAIXO, PORQUE SE AVALIA TÃO ALTO?


Li em tempos, já não sei onde, que George Bernard Shaw, polémico e dramaturgo, autor de comédias satíricas, de espírito irreverente e inconformista,  que deu grande enfase ao poder da ironia, conheceu numa viagem uma célebre atriz e perguntou-lhe se estaria disposta a dormir com ele por um milhão de dólares. Ela disse que sim. E ele perguntou-lhe? E por dez dólares? Ao que ela respondeu com agressividade: - quem pensa que eu sou?! Bernard Shaw, respondeu: - quem você é já nós sabemos, agora estamos só a negociar o preço!

Se a pessoa desce a um nível tão baixo, porque se avalia a um nível tão alto? O ser humano não parece aperceber-se de que aquilo que o define são o que os seus atos traduzem e não aquilo que diz que é.

É verdade que a pessoa não consegue ser sempre lógica, nem ser um modelo de virtudes. Se assim fosse era capaz de se tornar num autentico chato. Também não deixa de ser verdade que a  vida por vezes obriga a que nem sempre se siga aquilo que se defende. O dia a dia está cheio de casos de pessoas bem sucedidas que tiveram necessidade de se adaptar ás circunstancias . Os dinossauros não se adaptaram!

As  espécies que sobrevivem, não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, mas as que conseguem ter uma maior abertura à mudança.

Mas uma coisa é a capacidade de adaptação às circunstâncias , a habilidade para não olhar muito para trás, nem de se agarrar ao que se fez e ao que se foi. Mas daí a deitar fora princípios que nortearam a vida, por uma promoção, por dinheiro, por um cargo político, não parece ser de louvar, pois a pessoa tem que se orgulhar do seu caráter.

Mas de modo algum se pretende retirar a liberdade à atriz referida no primeiro parágrafo de dormir com quem quiser,  o que é desprezível é o ela dizer “quem pensa que sou”?!  Como ela há gente que se vende por muito ou pouco e quando é questionada sobre a ética também também responde “por quem me toma”.

António Mão de Ferro


 


DOCENTES: COLONIZADORES OU REVOLUCIONÁRIOS?
  
  

Perguntaram-me outro dia se os formadores e os professores devem ser colonizadores ou revolucionários?

Ainda antes de eu me ter pronunciado perguntaram mais o seguinte:

Como qualquer colonizador deverão formar gente para ser submissa, obediente, servil, zelar para que a pedagogia não se desvie da ideologia dominante, do esquema instituído?

Ou para assumir uma atitude crítica, para fomentar a consciência da contradição, da insubmissão, que tenha autonomia e participe na construção de outra maneira de conceber as coisas?

Será mais importante a pedagogia do colonizador ou do revolucionário?

Pensamos que a pedagogia é importante demais, para que se possa aprisionar.

Admite-se que a formação da pessoa, possa conseguir-se através da utilização de meios que o eduquem ou que lhe permitam educar-se, construindo o participante, neste último caso, por si só a sua personalidade, não só através do apreendido na escola, mas também na família, na televisão e na internet e da sua interação com o ambiente que o rodeia.

Mas identificar o que rodeia o participante, tem o seu quê de problemático. Muitas vezes para que se tenha acesso àquilo que se convencionou que é o real, é necessário ir além das aparências, ir atrás das máscaras e das ilusões, sendo importante que ele tome consciência disso.

Assim as funções de quem ensina, não parecem coadunar-se com o ser colonizador ou revolucionário, pois ele deve constituir-se como facilitador de um processo que permita ao indivíduo construir a sua própria personalidade.

Assim em vez de utilizarem “conhecimentos mastigados", os formadores e professores devem estimular o espírito de iniciativa, e proporcionar as condições que encorajem os participantes a encontrar as suas respostas. Para que tenham acesso à dignidade, à capacidade de intervenção e de crítica e a não se resignarem com a ideia de estarem simplesmente no mundo…

António Mão de Ferro


 

FORMAÇÃO SUCESSO DO VENDEDOR 
  

Os vendedores com fracos resultados por vezes até fazem demonstrações espetaculares. Muito acima da média!

Puxam manivelas, alavancas, carregam botões, tiram fotocópias, e podíamos continuar, até um nunca mais acabar de atividades que desenvolvem.

Todavia, apesar destas exibições, numa boa parte das vezes, não conseguem vender nada!

Na realidade o fecho da venda tem normas específicas, requer habilidades, mas elas não são comparáveis às dos malabaristas do circo ou de qualquer outro espetáculo.

Na maior parte das vezes, como não conseguem obter resultados satisfatórios, justificam os seus insucessos dizendo: - Tenho azar!

Nem se apercebem de que isso não adianta nada! Haverá benefício para alguém quando o vendedor diz: - Estive quase a fechar uma venda, mas inexplicavelmente o cliente acabou por não o fazer, depois de praticamente ter dito que fechava o negócio.

São argumentos que não têm qualquer interesse, porque não trazem qualquer benefício!

Em vez de se lamentarem, seria bom que os vendedores procurassem aprender mais alguma coisa. Fizessem formação.

Devem ser capazes de definir estratégias e táticas e evitar que o cliente tenha uma atitude passiva.

O bom vendedor deixa o cliente participar, encoraja-o a experimentar o produto que quer vender.

Mesmo que o cliente não seja propenso a envolver-se muito na situação, a sua participação será sempre maior do que quando o vendedor fala como se estivesse num espetáculo.

Mas evidentemente que para além de ser competente a ouvir e a envolver o cliente com o produto, o vendedor terá também de ser capaz de se exprimir com convicção, além de ser capaz de tratar objeções e de lidar com clientes indecisos, que se tornam muitas vezes polémicos, meticulosos, arrogantes, afáveis, reservados e apressados, para só citar alguns tipos.

O vendedor terá de ter a capacidade de dar respostas, consoante o cliente e a situação, intervir no momento apropriado e encarar favoravelmente as objeções reformulando-as para que as possa utilizar como auxiliares do fecho de uma venda bem sucedida.

António Mão de Ferro




ANTES PREVENIR QUE REMEDIAR
 

A sociedade precisa urgentemente de mecanismos de prevenção. Mesmo sabendo-se que o futuro está cheio de incertezas, é muito importante tentar perceber antecipadamente o que poderá vir a acontecer de certo ou de errado e dos interesses que poderão existir de um e outro lado.

Ser capaz de prevenir as crises que ainda não eclodiram é um imperativo. Se conseguirmos fazer sondagens do futuro, com o intuito de detetar, antecipar e evitar situações desagradáveis, e pusermos à prova novas ideias, a nossa perspetiva vai-se alargando e assim temos mais hipóteses de eliminar fatores perniciosos.

Mas a tarefa não é fácil. Paradoxalmente há quem tenha a absurda convicção de que é mais fácil encontrar soluções, do que visualizar antecipadamente os problemas para os prevenir. Isto é, atua-se sobre a doença, mas não se fazem diagnósticos para prevenir e evitar que a doença apareça!

Chegou o tempo das pessoas capazes divulgarem as suas experiências, especialmente quando elas se afastam do senso comum. Não podem ter medo de cometer erros e ser como o guarda-redes que não sai da baliza com medo de não conseguir intercetar a bola, mas tanto esperou, tanto esperou, que acabou por sofrer o golo!

Os tempos que correm não são propícios para medrosos. Nem para os que têm receio de que se riam ou neguem a validade das suas ideias. Quando as ideias triunfarem, aqueles que duvidavam passarão a dizer que sempre acreditaram nelas, e que até era o que eles pensavam!

É preciso eliminar o medo de cometer erros porque eles nem podem ser considerados como tal quando se cometem na procura de soluções. Nesse caso o melhor será chamar-lhes processo de aprendizagem, aprende-se que as coisas não funcionam de uma determinada maneira

O valor dos mecanismos de prevenção é maior quanto mais adversas forem as condições. Precisa-se de gente idealista, assertiva e convicta, sem ingenuidade e com capacidade de fazer cenarização das situações e acreditar que é possível encontrar os mecanismos que ajudem a dominar os problemas antes de serem engolidos por eles.

António Mão de Ferro




O MUNDO
DA INFORMAÇÃO E OS DOCENTES
 

A época que atravessamos carateriza-se pelo excesso de informação e aqueles que tiverem a capacidade de captar aquilo que é essencial ganham vantagem. A torrente de informação cria ambiguidade e, na maior parte dos casos, é difícil de ser entendida. Todavia não parecem existir dúvidas de que os que conseguirem lidar bem com ela ganham vantagem sobre os concorrentes.

Também os sistemas de educação e formação terão de conseguir trabalhar com a informação que cerca as pessoas por todo o lado. Em vez de deixarem cair os braços, professores e formadores deverão ser capazes de articular os conhecimentos que vão lecionar com os veiculados pelos jornais, publicidade, televisão e internet, e fazer a ligação de uns e outros ao mundo das organizações.

Tarefa difícil sem dúvida, assumirem-se como verdadeiros mediadores entre a coletividade em desenvolvimento e o participante.

O seu papel passa pela explicação de que a vida nas organizações não é para ser levada a cabo por fracos de espírito. Daí a importância de relacionar os novos conceitos com os ambientes de trabalho e com as perspetivas de futuro sem olvidar as condições em que os indivíduos desenvolvem, ou virão a desenvolver, a sua atividade.

O docente não pode esquecer que está sujeito a uma concorrência cada vez maior dos mass media e das organizações extra formação. E não deve ignorá-los mas antes aproveitá-los, sob pena de ser acusado de viver num mundo artificial e, pior do que isso, deixar aqueles a quem ministra os conhecimentos com ideias justapostas da realidade.

Ele terá de ajudar a desmistificar as imagens, o dito e o não dito, e tentar extrair delas o seu significado, confrontá-las e ordená-las, numa perspetiva que se coadune com a realidade dos participantes.

O papel do professor e do formador passará a ser cada vez mais de um intermediário que ajuda a clarificar as questões importantes e a estimular a atividade de quem aprende.

António Mão de Ferro




NÃO RECEAR ERROS E SEGUIR EM FRENTE  
  
As dificuldades porque se está a passar, exigem que os colaboradores das organizações atuem como se tivessem que caminhar ao longo de uma corda bamba. Seria bom que ao fazerem a caminhada, não vissem de um lado o charco lodoso das burocracias e do outro o pedantismo e um buraco cheio de água e incompetentes.


E porquê? Porque não é admissível que para além do esforço que têm que despender, para manter o equilíbrio, ainda tenham que gastar energia para suportar os que chafurdam no lodo e os salpicos de água que deliberadamente esses incompetentes provocam para os obrigar a fechar os olhos e tapar-lhes a visão.

Para se obter eficácia e êxito é necessário que os que trabalham nas organizações, não sejam desencorajados com ninharias e se entusiasmem com aquilo que fazem. Isso passa por admitir que por vezes falhem.

Desde que não se erre com muita frequência, os consumidores hoje em dia, desculpam a empresa quando ela consegue remediar as consequências de determinados procedimentos.

Assim terá de ter-se uma atitude empreendedora, e assumir que é possível atingir o êxito, mas não desanimar se os negócios falharem desde que se esteja preparado para dar passos em frente.

Para isso os colaboradores terão de manter o entusiamo, a imaginação, a paciência, o bom humor, terem presente que ninguém é perfeito e que é cada vez mais necessário respeitar e compreender as diferenças das pessoas que com eles trabalham, para que as sinergias do grupo sejam ainda maiores.

É todavia necessário que os planos sejam claros e minimizem ao máximo as interpretações subjetivas. Se assim for, consegue-se produzir mais e melhor, implementando mais facilmente as decisões mais acertadas mesmo perante situações de caos ou complexidade.

António Mão de Ferro


 
O PRIVILÉGIO DE SER COMPETENTE  
  
   

A sociedade está a passar por uma espécie de esquizofrenia onde a falta de ideias novas está a contribuir para uma incapacidade confrangedora de gerar novas realidades. Quem sabe na maior parte dos casos não diz e quem diz, muitas vezes não sabe.

O pior é que as preocupações de quem tem que tomar decisões e as dos que querem vir a ocupar os lugares de quem as toma, parecem ser apenas táticas para se posicionarem melhor no terreno.

Daí que os discursos de rutura sejam aparências enganadoras, tipo charlatão, mais parecendo que estão a fazer aparecer como novas, depois de agitadas, ideias metidas numa panela, do que a pensar na tomada de decisões e nas estratégias que surtam impacto no desenvolvimento das organizações.

Com este faz que anda, mas não anda, assiste-se ao imobilismo, e não parece revelar-se preocupação por se estar cada vez mais próximo do precipício.

A situação precisa do aparecimento de novas vozes que definam novas perspetivas, que aumentem a diversidade de experiências e abram caminho para cenários mais imaginativos.

As estratégias não podem ser dogmáticas, mas têm de romper com o evidente, ser subversivas, originais e acentuar que o “privilégio de ser competente”, não pode dar-se ou transmitir-se, por filiação partidária

Precisam-se pessoas preparadas para a turbulência, não para o comodismo, que digam não às palavras ocas e aos arautos da desgraça, que não percam tempo com os discursos dos opositores e se preocupem em ajudar a criar o futuro.

É evidente que quando se pretende romper com o estabelecido, é natural que surjam conflitos e ruturas, mas não há que ter receio deles, pois eles poderão ajudar a encontrar o equilíbrio entre tradição e inovação, pragmatismo e excelência, para que seja possível manter e aumentar os postos de trabalho e gerar riqueza para o país

António Mão de Ferro


 


LIDER PRECISA-SE  
  
Há um ditado que diz: “este mundo é uma bola, mas quem anda nela é que se amola”. Muitos poderão dizer que o ditado se adapta perfeitamente à situação que estamos a viver. Todavia se pensarmos bem, muitas vezes nos momentos em que o mundo parece estar a desfazer-se, há oportunidades criativas disfarçadas.

Muitos países e organizações, começaram a desenvolver-se em períodos de crise. Na conjuntura que se atravessa, o sucesso do passado não constitui garantia de resultados no futuro, e por isso é preciso que as pessoas aprendam a correr riscos, adorem vencer ou pelo menos odeiem perder.

Saber questionar pode ser meio caminho andado para sair de situações desagradáveis para zonas de maior conforto, porque há gente que quer mudar e há mundos para refazer. Torna-se cada vez mais necessário saber filtrar o mundo e concentrar-se nas emoções e factos relevantes com precisão.

Mas há quem ao procurar refazer o seu mundo se perca na caminhada.

A propósito onde é que eu ia?! Ah sim comecei com o provérbio da bola e a partir daí centrei-me na situação atual, não é onde todas as conversas vão descambar?!

Parece-me uma boa altura para relembrar que independentemente da situação, as pessoas continuam a ser as coisas mais importantes e, que aconteça o que acontecer tudo passará por elas. É por isso que se está a precisar de líderes que consigam formar equipas à medida das suas ambições. Lideres que apostem e acreditem nas pessoas, que se convençam e as convençam de que elas têm mais virtudes do que as que julgam ter.

É necessário que todos tenham consciência de que para lá dos seus motivos pessoais, quiçá egoístas, se movam, para se transcenderem a eles próprios e compreenderem que muitas vezes a solução não está nos grandes planos, mas nos pequenos detalhes.

É preciso dar uma sapatada na apatia que se está a viver e o líder terá necessariamente de procurar envolver todos, de ser muito exigente, mas restituir a esperança. Não ser adepto do ditado que diz que “vale mais um que saiba mandar do que cem a trabalhar”, porque ele deve fazer parte da equipa, como qualquer outro, embora lhe caiba a função de coordenar, orientar, dirigir e apontar caminhos.

António Mão de Ferro


 

ENCRUZILHADA PARA PROFESSORES E ALUNOS  
  
Segundo o ministro da educação, este governo irá legislar no sentido de que os cursos dos Politécnicos passem a ter uma duração de dois anos. Não nos parece que esta mudança vá trazer grandes mudanças nos sistemas de Ensino, nem isso parece ser o cerne da questão. Essa transformação parece ter mais a ver com o aproveitamento dos estabelecimentos existentes. 

Numa altura em que estão a aparecer cada vez mais cursos transmitidos via satélite para centenas de milhares de alunos que podem utilizar as suas casas, ou até os locais de trabalho como salas de aula. Em que está latente uma revolução nos sistemas educativos e na maneira de transmitir o ensino, parece existir vontade de fazer a reedição dos antigos cursos industriais e comerciais.

Em boa verdade esses cursos transmitiam conhecimentos que podiam ser transpostos para o mundo laboral e contribuíam para uma mais rápida adaptação, daqueles que os frequentavam aos postos de trabalho e eram geradores de mais empregos do que o são as Universidades e os Politécnicos.

Mas a situação alterou-se. Ainda que as necessidades da sociedade fossem as mesmas, os conhecimentos que os professores dos Politécnicos evidenciam, não estão na maior parte dos casos em sintonia com as práticas que o trabalho reclama.

Assim e independentemente da mudança, continuar-se-á a insistir numa qualificação intelectual abstrata, e a fabricar diplomados, fechados na aquisição dessa abstração. Não espantará por isso que a maioria dos diplomados continuem a não saber nada de concreto. Como hão-de saber senão foram treinados para isso?

Estas soluções fazem com o que os jovens se sintam prisioneiros e tratados como objetos e que os professores fiquem à deriva ao terem que ministrar matérias diferentes das que habitualmente ensinam.

Está-se assim numa encruzilhada difícil para professores e alunos, sem que se vislumbrem mais valias. 

Verdade se diga que há licenciaturas que não têm alunos e outras que têm tão poucos que não são rentáveis.

Mas será razoável fazer reformas cuja principal razão de ser seja o aproveitamento de infraestruturas? Evidentemente que não.

António Mão de Ferro 


 
TIRE PARTIDO DA VIDA, SONHE  
   

Há poemas de António Gedeão pelos quais tenho uma admiração extraordinária. A Pedra Filosofal é um dos que mais admiro. “O sonho é uma constante da vida tão concreta e definida, como outra coisa qualquer”.

Mas será que os sonhos são concretos e definidos?

Sinceramente, duvido. Quer os sonhos aconteçam a dormir ou acordados, são um emaranhado de “bocados dispersos” que na maior parte das vezes esquecemos, e que nem têm sequer sentido.

Sonhamos para esquecer? Para Lembrar? Para Criar? Para Solucionar Problemas? Para nos desculpar? Para acreditar num futuro melhor? Para procurar a felicidade?

Por termos sonhos seremos mais ou menos concretizadores? Haverá semelhança entre sonho e crença? Ou o sonho será qualquer coisa que não se apoia em dados reais?

E a crença? Terá ela mais a ver com o desejo de realizar, de acreditar? Se assim for mobiliza forças para se concretizar aquilo que se pretende, e assim concretiza o sonho.

E o que dizer dos sonhos simbólicos? Nesses sonhos nem sequer há nada de estranho no facto de por exemplo um gato procurar uma enxada, e apanhá-la. Nesse caso não admira que as conversas se tornem incongruentes e sem fim. Pergunta-se ao gato, para que queres a enxada? E ele responde, porque estou com sede tento abanar um coqueiro. É-lhe então feita outra pergunta, e porquê um coqueiro? E o gato responde: Não te dei o meu micro-ondas? Tu deste-me o micro ondas? E a conversa nunca mais tem fim, até que a pessoa acorda ou inicia outro sonho!

Seria possível este sonho acontecer em qualquer pessoa, ou só numa que tenha vivência com os utensílios descritos?

Se o sonho comanda a vida esta comanda o sonho. Volto à minha primeira pergunta e o sonho será concreto e definido?

Estou a ver que não consigo sair disto! Será que fiz bem a pergunta? É porque é difícil encontrar respostas sem saber fazer bem a pergunta!

Mas enquanto eu estou neste nem sim nem não, “o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança”. Tire partido dele, do mundo claro. Sonhe, porque o “sonho comanda a vida”


António Mão de Ferro




MOISÉS E OS POLÍTICOS   
   
Hoje em dia é possível enviar mensagens para o mundo inteiro em centésimos de segundo, porém a passagem de uma ideia pode levar muitos anos.

O mais complicado não é tomar decisões pois a maior dificuldade consiste em mobilizar e motivar as pessoas para as implementarem eficazmente.

Há muitos milhares de anos Moisés entendeu certamente que escrever e comunicar os dez mandamentos não era o mais complicado pois a principal dificuldade era a sua implementação.

Aquilo a que se assiste atualmente e de há tempos a esta parte é que temos por aí uma rapaziada que não sabe a diferença entre a tomada de decisão e a implementação.

É por isso que assistimos a esta patetice de vermos anunciar medidas como estando tomadas e passado algum tempo serem deixadas cair, porque se chega à conclusão, de que não é possível implementá-las. O pior é que entretanto o anúncio da tomada de decisão, criou um clima psicológico que fez diminuir a capacidade de intervenção das pessoas. Para além de criar uma grande instabilidade, provoca uma retração na economia pois adiam-se transações que seriam feitas se não fosse o anúncio de que vão ser tomadas decisões ainda que elas por norma sejam abortadas passadas poucos dias.

Assim vemos empresas a fechar e o desemprego a aumentar, sem que muitas vezes aconteça nada, que não tenha sido o infeliz anúncio de uma medida que vai ser tomada.
Não se nega a necessidade de fazer mudanças e tomar medidas que ponham fim a uma série de desmandos feitos por governantes irresponsáveis, mas da forma que as coisas estão a ser feitas, criam um sentimento de que não se consegue ver o fim a este pesadelo que está a destruir o país. Não será possível encontrar uma alternativa sem passar por eleições?

O sucesso da tomada de decisão depende da qualidade da decisão e da eficácia de a implementar. Para um líder seguir em frente enfrentando choques de personalidade, pressões sociais e politicas, relacionadas com o processo de decisão, é necessário saber como se implementam, antes de as tomar.

António Mão de Ferro

 


 

TROPEÇAR NA ROTINA  
  
Muitas empresas ainda hoje se sustentam no senso comum e nas rotinas. Isso faz com que perante a necessidade de mudar surjam atritos e mal entendidos, porque a rotina se intromete na concretização da mudança e faz com que se tropece nela. 

Mas o pior é a dificuldade em aceitar a incapacidade para alterar as coisas. Nem sempre é percebível que a incapacidade para mudar normas de atuação, de acordo com uma nova ordem, não é culpa das coisas serem feitas como sempre foram. Porque há muito tempo que se procede de um determinado modo está-se convencido de que se sempre se fez assim e deu bom resultado, não vale a pena mudar nada! 

Tal como aquele jogador de futebol que tropeça nos seus próprios pés fora da grande área e fica à espera que o árbitro marque grande penalidade, também os que tropeçam na sua própria rotina ficam à espera que alguma coisa mude e o tempo lhes venha a dar razão, sem se aperceberem de que há novas maneiras de atuar, produzir e gerir.

Não é possível navegar junto à costa, em curtas viagens que confirmem o que já sabem. É preciso procurar o desconhecido, com recursos e novos instrumentos de orientação. Quando as coisas não correm como o desejado, é necessário não prosseguir por caminhos já trilhados. Sentir inquietude poderá ser importante para explorar e seguir outras vias.

Há que estimular a auto responsabilização dos colaboradores. A sua capacidade e sentido de observação, para compreenderem a necessidade de se questionarem, interligarem as informações disponíveis, para ganharem mais competências, para tomarem melhores decisões.

Porém não podem esquecer que a empresa tem que funcionar como uma equipa e de que as decisões individuais têm que ter em conta o projeto do grupo, porque o coletivo e a empresa tem de ser sempre o foco. 

Os colaboradores das empresas que queiram vencer, terão que ter presente que uma ave não voa com uma só asa e que é preciso juntarem o sentimento e o pensamento, a cabeça e o coração, sem o que os projetos terão dificuldade em ser bem sucedidos.

António Mão de Ferro 

 


 

SABER ONDE QUER CHEGAR OU IR À DERIVA?   
  
Se ainda se lembra, em artigo anterior um tubarão disse a um cavalo-marinho que andava à procura de fortuna, que tomasse um atalho e entrasse para a sua imensa boca.

O cavalo-marinho agradeceu e lançou-se para o interior do tubarão acabando devorado. A moral desta história é a de que se não sabe com certeza para onde vai, é muito provável que se engane no caminho.

A situação em que nos encontramos, num país que parece andar à deriva com governantes a dizerem e a desdizerem o que vão fazer, é bem o exemplo de que não se sabe muito bem onde se quer chegar.

Muitas empresas que faliram provavelmente também não tinham bem noção do que pretendiam e outras, sabendo onde queriam chegar, não tomaram o caminho certo e por isso quando os obstáculos apareceram não souberam que atalho deviam tomar. Muitas seguiram em frente até baterem numa parede quando a prudência aconselhava a voltarem atrás. Outras seguiram para a direita quando deviam ir para a esquerda, ou foram para a esquerda quando deviam ir para a direita.

Todavia há quem defenda que tentar definir com muito rigor o sítio onde se pretende chegar pode ser castrador da criatividade. Assim são de opinião de que é possível gerir através de processos em que as ideias, as escolhas e as ações se auto regulam e daí a necessidade de se apoiarem em explicações mais dinâmicas para lidar com a confusão, a ambiguidade, os conflitos e a desordem em que têm que agir.

O pior é que muitas vezes estas teorias acabam por originar o caos, criando confusão total e ausência completa de teorias ou normas.  

Porém, verdade se diga que certos sistemas são capazes de se comportarem de maneira aleatória. O que quer dizer que são intrinsecamente não previsíveis a longo prazo a um nível específico.  Sendo assim o sucesso depende da inovação da espontaneidade e da iniciativa muitas vezes ad hoc, dos indivíduos. 

Ao centrar a atenção no irregular, no incerto, no diferente, é-se encorajado a rejeitar uma visão mecânica, simplista do mundo empresarial.

Sendo assim a definição de objetivos pode ter dificuldade em se enquadrar em sistemas aleatórios!

Volto agora ao início do que escrevi num outro artigo e de que este é a continuação. Se se recorda disse então que a chuva me tem impedido de fazer aquilo de que mais gosto: passear desprendidamente sem chegar a algum lado. 

Como deixou de chover aí vou eu sem destino, mas na gestão de uma empresa também poderá ser assim?

António Mão de Ferro

 


 

DEFINIR ONDE QUER CHEGAR 

  

Em princípio este ano não nos devemos queixar da falta de chuva. Ela tem caído com alguma regularidade. Mesmo neste mês de Maio a chuva tem aparecido. Alguns fins de semana tem-me impedido de fazer uma das coisas que mais gosto: passear desprendidamente, sem a preocupação de chegar a lado algum.

Prejudicados os passeios, aumentaram as possibilidades de alinhavar algumas ideias. Dar uma vista de olhos por livros já lidos, ler alguns pela primeira vez e reler pedaços de outros, quando são técnicos.

Um dos livros em que peguei, foi o de Robert F. Mager, cujo título é “objetivos para o ensino efetivo”. Para dizer a verdade não peguei neste livro por acaso, mas por causa dos programas de formação a que estou ligado. Nesse livro, aparece uma história que sensibiliza para a definição de objetivos. É a seguinte:

“Certa vez um cavalo-marinho, pegou nas suas economias e saiu à procura da fortuna.

Não tinha ainda andado muito quando encontrou uma águia (não confundir com a águia vitória, a do Benfica pois nem sequer é o melhor momento para falar dela, mas já que falei…) que lhe disse:

- Bom amigo para onde vai? Vou em busca da fortuna, respondeu o cavalo-marinho com muito orgulho.
- Está com sorte, disse a águia, por metade do seu dinheiro deixo que leve esta asa, para que possa chegar mais depressa.

- Que bom disse o cavalo-marinho. Pagou-lhe, colocou a asa e saiu como um raio.
De seguida encontrou uma esponja que lhe disse:- Bom amigo para onde vai com tanta pressa? – Vou em busca da fortuna, respondeu.

- Está com sorte, disse então a esponja, vendo-lhe esta scooter por muito pouco dinheiro para que chegue mais depressa?
Foi assim que o cavalo-marinho pagou o resto do seu dinheiro pela scooter e pôde sulcar os mares com velocidade quintuplicada.

De repente encontrou um tubarão que lhe disse:- Para onde vai meu bom amigo? – Vou em busca da fortuna, respondeu-lhe o cavalo-marinho. Está com sorte, se tomar este atalho ganhará muito tempo, apontando para a sua imensa boca…

Continua no próximo artigo

 

António Mão de Ferro


 
AUTODESENVOLVIMENTO E DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL II
  

Tal como referimos em artigo anterior, a metodologia seguida para o autodesenvolvimento e desenvolvimento empresarial tem em conta o princípio de que a pessoa em formação é sujeito e não objeto da sua própria formação. O modelo pedagógico seguido favorece uma atitude não diretiva do formador, que assume um papel de coordenador. Com esta metodologia pretende-se preparar os recursos humanos de uma empresa para implantar/integrar processos de gestão flexíveis e autorregulados, capazes de criar uma dinâmica que se carateriza pela resposta oportuna e adequada às necessidades dessa empresa. Para isso na formação dá-se enfase:

À razão da existência da empresa – a sua clientela;
Aos meios fundamentais – os seus recursos humanos;
À própria empresa, encarada como estrutura de inter-relações.

Considera-se que cada empresa possui um passado e uma cultura própria que sintetiza uma estrutura de valores explícita e/ou implicitamente definida e hierarquizada que sustenta os padrões de relacionamento interno ou externo próprios da organização. Embora este processo aconteça no decurso da vida de uma empresa e seja gerado através do tempo pelas pessoas que participaram e participam nela, adquire autonomia e caraterísticas próprias que, por sua vez, influenciam interativamente as atitudes dos atuais colaboradores.

Perspetivada do lado das pessoas, esta dinâmica de inter-relação adquire múltiplas configurações em consequência do modo como cada um perceciona o passado, a cultura da empresa, e os referencia a si mesmo como valores a estruturar (binómio colaborador-situação).

Este tipo de formação pode contribuir para a ultrapassagem de muitos bloqueios nas empresas.

É desenvolvido em sistema residencial. O formador não leva receitas nem soluções, manuais ou recursos pedagógicos tradicionais. Todavia, no final da ação os participantes recebem um manual com o produto do trabalho que eles produziram e que uma colaboradora foi registando. Esse manual, que voltamos a dizer foi produzido na formação, refere as soluções propostas para ultrapassar as forças que restringem a atividade da empresa.

 

António Mão de Ferro


 

AUTODESENVOLVIMENTO E DESENVOLVIMENTO
EMPRESARIAL

Winston Churchil terá dito um dia: “Adoro aprender mas detesto que me ensinem”. A metodologia que é seguida para a formação em autodesenvolvimento e desenvolvimento empresarial, seria certamente do agrado daquele estadista, porque:

- Desenvolve atividades centradas nas pessoas, uma vez que são elas agentes de conservadorismo ou de mudança de uma estrutura de valores;

- Considera a estrutura de valores como algo substancial e concreto, presente e determinante em maior ou menor grau nas atitudes dos colaboradores;

As atividades são semi estruturadas e têm em conta o princípio de que a pessoa em formação é sujeito e não objeto da sua própria formação.

A mudança de atitudes pressupõe um processo individual complexo e profundo de autorreflexão, que dificilmente se consegue impor de fora para dentro, necessitando para que se realize, da adesão do próprio indivíduo, através de um ato livre e espontâneo.

Esta formação deverá ser frequentada inicialmente pelos quadros de topo de uma empresa. Integra um conjunto de atividades centradas na análise pessoal e da organização, que funcionam como estímulos para o acompanhamento do indivíduo, num processo ativo e contínuo de desenvolvimento, cujo quadro de referência são os seus próprios objetivos compatibilizados com os da empresa onde está inserido.

Este tipo de formação tem em conta que o grande objetivo é o desenvolvimento empresarial através dos seus recursos humanos. Para isso são estruturados e selecionados procedimentos e técnicas de condução de grupos, para que se crie um espaço relacional que facilite a partilha de experiências e o aprofundamento do conhecimento de si próprio e da empresa, de forma a que as pessoas sintam a necessidade de aprender a apreender a realidade, que inclui a sua realidade e a da empresa e consigam compatibilizá-las em função dos fins que persegue.

António Mão de Ferro

 


 

SINTONIA ENTRE LÍDER E COLABORADORES 

 

À medida que a conjuntura torna as organizações mais complexas é cada vez mais necessária a conjugação dos conhecimentos dos diferentes colaboradores, pois eles poderão dar um importante contributo na obtenção de eficácia e êxito.

O sentido de pertença à organização é fundamental. Quando esse sentimento existe, há uma preocupação em fazer crescer a inteligência individual e um empenhamento entusiástico, que cria sinergias que se traduzem na obtenção de desempenhos elevados e no renascer da esperança, quando ela desfalece.

O papel do líder é muito importante, mas sem ovos não há omeletes, uma equipa de futebol de 2ª. linha, pode aspirar à conquista do campeonato nacional, mas por muito que se esforce, por muito bom que seja o treinador, não consegue ganhar o campeonato.

Contudo o líder tem que acreditar sempre, que é possível fazer mais e não pode deixar de assumir que a condução do barco faz parte das suas funções. Se ele for ao fundo, a culpa é sua, mas é preciso que os colaboradores entendam que a responsabilidade é de todos, os que lá trabalham. Quando se chega a bom porto ou quando se conquistam êxitos, também todos se devem sentir orgulhosos e com o curriculum valorizado, porque os êxitos dão confiança e os que fazem parte das equipas vencedoras sentem uma maior realização.

 Líder e colaboradores, têm que ter presente que o ser humano tem muito potencial que não usa e daí que todos devam refletir como poderá ser utilizado esse capital adormecido, na superação dos obstáculos e no afastar do pessimismo que reina nas notícias dos meios de comunicação social e se alastra à população. Os tempos não estão para lamentos e há que ser cada vez mais pró-ativo, para que o número de desempregados, esse flagelo nacional, comece a baixar e para isso é preciso ser cada vez mais dinâmico, agarrar as oportunidades e tudo fazer para manter os postos de trabalho.

 Mas quando os elementos de uma organização só estiverem preocupados com o seu projeto individual, não se sentirem pertença da equipa, não forem dinâmicos nem criativos, estiverem alheados do grupo de trabalho, devem ser convidados a sair tal como acontece nas equipas de futebol.

Vive-se um tempo em que não pode haver meias tintas, nem estar com um pé na organização e outro fora.

António Mão de Ferro



USAR O PODER 

Há alguns anos estávamos longe de imaginar que iria haver um retrocesso no nível de vida e que se ia chegar ao ponto em que estamos, em que há pessoas a viver no limiar do que é aceitável. Não tivesse a taxa Euribor descido para valores baixíssimos e a vida de um grande número de pessoas, seria ainda muito mais dramática.

Os diversos governos não têm sabido dar a volta à situação e o desespero em que as pessoas se encontram leva-as a votar no partido que está na oposição e em melhores condições para poder formar governo. Não se procura votar no que é melhor pois quer-se a todo o custo votar no outro, no mesmo é que nunca!

Mas… passado pouco tempo verifica-se que a situação se encontra na mesma ou ainda pior, o que significa que o governo não tem todo o poder para alterar as circunstâncias. Talvez por isso faça sentido citarmos Roland Barthes.

Roland Barthes, no seu livrinho “A Lição”, Edições 70, diz “a inocência moderna fala do poder como se ele fosse apenas um. De um lado os que o têm do outro os que o não tem.” E continua, “pensámos que o poder era um assunto exemplarmente político, acreditamos agora que também é um objeto ideológico, que se insinua por todo o lado, por onde não é inteira e imediatamente captado, nas instituições, no ensino, mas em suma que é sempre um”.

E o autor pergunta de seguida: “E se todavia o poder fosse plural, como os demónios? O meu nome é legião poderia ele dizer: por toda a parte, de todos os lados, chefes, aparelhos enormes ou minúsculos, grupos de opressão ou de pressão; por todo o lado vozes “autorizadas” que se autorizam a impor o discurso de qualquer poder, o discurso da arrogância”.

E Barthes continua: “e quando adivinhamos que o poder está presente nos mecanismos mais subtis da comunicação social, não apenas no estado, nas classes, nos grupos, mas ainda nas modas, nas opiniões correntes, nos espetáculos, jogos, desportos, informações, nas relações familiares e privadas e até nas forças libertadoras que tentam contestá-lo”.

Interessante sem dúvida esta maneira de analisar o poder. Vale a pena refletir sobre ela, na conjuntura em que se vive.

Pensar que não se tem só o poder de votar, ou de só analisar o que os outros dizem mas que também se tem o poder para encontrar alternativas, para sacudir o marasmo em que as pessoas e as organizações vivem. Se a pessoa se deixa ir acaba por não chegar a lugar nenhum, sem ser o do cruzar os braços.

Se pensarmos que podemos dispor de poder, podemos fazer muito mais do que só mudar o governo e contribuir para a mudança daquilo que nos condiciona os movimentos. E se começássemos por exercer o poder de fazer mudanças no nosso local de trabalho?!

António Mão de Ferro


 
UMA NOVA PEDAGOGIA

Os conceitos sobre pedagogia têm evoluído pouco, assistindo-se com frequência à apresentação das mesmas ideias, ao desfilar das mesmas questões, ao argumentar da mesma maneira, à conclusão das mesmas conclusões.

Com alguma frequência referem-se duas perspetivas pedagógicas que se contrapõem.

Uma defende que é preciso ensinar, instruir, formar. Outra propõe que o indivíduo traz em si os meios de assegurar o seu próprio desenvolvimento intelectual e moral e, nesse caso, a ação do exterior só serve para o deformar ou entravar.

No primeiro caso o saber é organizado e a educação consiste numa espécie de enxerto de produção externa. Quem sabe ensina aquele que ignora. O docente exerce uma ação que visa a transmissão do conhecimento constituído, dividindo-o em elementos que serão os instrumentos que se destinam a formá-lo. São utilizadas situações para exercer sobre o que aprende algo cujo objetivo é a sua formação ou transformação. Isto quer dizer que previamente alguém assimila aquilo que vai ensinar. Nesse caso é o conteúdo que determina essencialmente a ação que se vai exercer.

Para a outra perspetiva o que aprende é o artesão da sua própria construção. Este age e transforma-se através da sua própria ação. Embora esta incida sobre objetos que servem para a educação, o uso que deles se faz não é o mesmo. Quem determina a ação é o que aprende e o conteúdo é utilizado de acordo com as suas próprias iniciativas.

Contudo nestas duas perspetivas, o papel do docente assume a sua presença e voluntária ou involuntariamente exerce a sua ação.

Em boa verdade não vou neste escrito tomar partido por nenhuma das perspetivas, pois a pedagogia é importante demais para que seja compartimentada. Neste momento, quer se queira quer não, terá mesmo de se começar a repensá-la. O elearning dispensa a presença de quem ensina e o seu papel vai reduzir-se cada vez mais aos bastidores. Independentemente da perspetiva , tem que ser dado cada vez mais ênfase ao que cada um quer aprender e ao modo como se concebe, se organiza e se desenvolve a animação nas plataformas de elearning.

Assim, agora também é importante ter em conta as competências de outros agentes, como os técnicos de informática, os designers, os guionistas , os produtores de filmes e slides, entre outros.

É preciso evitar que os que aprendem constatem desacertos e confusão. Se isso acontecer vão reagir com amargura, revolta ou passividade especialmente quando verificarem que o que lhes é disponibilizado, não contempla aquilo que procuram.


António Mão de Ferro

                                                   

 A FORMAÇÃO DE FORMADORES

Não se compreende que alguns candidatos a formadores não cuidem de se informar sobre se a empresa onde vão fazer a formação pedagógica é credível e exigente. Deve ser no momento em que fazem a sua formação que devem apreciar e reconhecer a importância do modo como ela está organizada, bem como apreciar a qualidade pedagógica e a maneira como estão concebidos os recursos.

As estratégias formativas, os métodos pedagógicos e os recursos didáticos, deverão ser sujeitos a contínuos processos de análise da qualidade de modo a adaptá-los às diferentes situações de formação. Para além dos saberes profissionais, é importante proporcionar aos formandos informação acessível ao seu desenvolvimento socioeconómico, mas também à teia de relacionamentos que se podem encontrar numa organização. Isto implica facilitar-lhes a aquisição de conhecimentos que lhes possibilitem, a par do seu desenvolvimento profissional, organizar um projeto de vida pessoal que permita encontrar uma identidade própria.

É fundamental para o futuro formador que os processos de formação integrem para reflexão situações reais que englobem a produção pessoal, a troca de experiências, a partilha de saberes, e que permitam encontrar soluções que se ajustem ao tempo e à conjuntura em que se vive.

A Formação de Formadores é de tal maneira importante que a empresa onde o futuro formador adquire competências pedagógicas refletirá certamente aquilo que ele será no futuro.

Consciente dessa realidade, na empresa Nova Etapa a formação de formadores, quer presencial quer em bLearning, é organizada por equipas compostas por diversos profissionais: Coordenadores Pedagógicos, Formadores/Tutores, Responsáveis de Planeamento, Informáticos, Designers, Técnicos de Marketing, Guionistas, Atores, Realizadores, Operadores de Câmara de Filmar e de Som, Técnicos de Montagem e Pós Produção.

É preciso ter presente que na formação, o sucesso não acontece por acaso


António Mão de Ferro

 

 



 

HÁ POSSIBILIDADE DA EDUCAÇÃO SER ISENTA?

Se se pensar bem de um modo geral a pessoa tem tendência para se levar a sério, sem que daí venha mal, porém essa maneira tão própria de encarar o mundo, pode tornar as coisas redutoras, quando se compara tudo o que se ouve, vê ou diz, com as suas ideias e referências. Desse maneira, fica-se convencido de aquilo que se passa  está relacionado com a opinião que se tem acerca das coisas, quando na realidade muitas vezes o que foi dito, visto ou ouvido,  nada tem a ver com o que se interpretou.

Mais curioso ainda é quando se assiste a uma conferência e se vê tomar nota não do que o orador está a dizer, mas no que se pensa que ele diz e que muitas vezes não tem a mínima semelhança com o que disse, mas com as referências de quem escreveu acerca do assunto abordado na conferência.

Se um professor pedir aos alunos para ver o que eles escreveram nos seus cadernos, acerca do que ele disse, vai ter de certeza uma grande surpresa e se for um bom profissional, não deixará de refletir sobre o que leu e passar a comunicar de modo mais claro.

Com a educação também acontecem coisas curiosas. Todos os que sobre ela se “debruçam”, estão de acordo que a sua evolução só pode ser encarada se estiver inserida na sociedade, mas a referência a essa sociedade, parece quase ter-se tornado uma “cláusula ritual de estilo” quase sempre que se fala do futuro da educação.

Não se pode ignorar que as caraterísticas da sociedade a que é feita referência, são selecionadas a bel-prazer de cada autor e de acordo com o pensamento a que está ligado.

Porém esta maneira de percecionar, não é nova. Já cinco séculos, a.C. Xenófones de Colofon, na Jónia, atual Costa Ocidental da Turquia, baseando-se na variedade extrema dos modos dos diferentes povos imaginarem os seus deuses, referia que se os bois, os cavalos e os leões tivessem mãos e pudessem desenhar com elas e executar obras como os homens, os bois desenhariam figuras de deuses semelhantes a bois, os cavalos semelhantes a cavalos e os leões semelhantes a leões e dariam aos seus corpos as próprias formas que uns e outros têm.

Cada autor representa o seu papel na ação cujo desenvolvimento procura prever. É sobre essa forma alegórica que a sociedade está em ação.

Como poderá a educação ser desenhada de outra forma?

António Mão de Ferro


 

 



 

FALAR EM PÚBLICO

Para algumas pessoas falar em público é um ato natural. Estes comunicadores sentem-se no seu meio ambiente quando discursam ou debatem na presença de público, ou até, de uma câmara de televisão.

Infelizmente nem todos são assim, e há pessoas que, quando têm de falar em público, seja por motivos profissionais ou pessoais, sentem-se ansiosas, com medo de falhar, e acabam por não conseguir uma comunicação fluída, ou mesmo, por desistir. No entanto, falar em público com qualidade é algo que está ao alcance de todos.

Os primeiros momentos são normalmente os mais difíceis e podem definir o sucesso ou fracasso da intervenção. As primeiras palavras levam os que as ouvem a criar uma determinada imagem e o julgamento que dela fazem pode ir reforçando o primeiro juízo.

Enquanto define o ritmo da intervenção, o que vai comunicar, deve procurar ver-se a si próprio perante um grupo ao qual tenha que se dirigir. Observar o silêncio a instalar-se na audiência enquanto profere argumento após argumento. Insistindo, consigo próprio e com entusiasmo, no que pretende conseguir.

Em vez de se deixar dominar pelo medo, que é um dos principais motivos de fracasso, deverá considerar que um certo receio de falar às pessoas pode ser útil para uma preparação mais adequada e para a pessoa ser mais cuidadosa, mas também para aceitar desafios invulgares. O pulso a bater mais depressa e a respiração acelerada não são caso para alarme.

Em vez disso deve aceitar que o receio pode ser um excitante para entrar em ação, contribuir para lhe dar mais fluência e expressar-se com mais intensidade do que se estivesse muito calmo.

A tensão emocional sentida pode ser angustiante se se pensar que se pode não estar à altura das expectativas de quem ouve, mas esta mesma tensão emocional pode ser canalizada para jogar a seu favor.

No entanto é preciso ter atenção e não deixar que esta tensão faça sobreavaliar a qualidade da intervenção. Estimulado pela perspetiva de comunicar as suas ideias, não se deve correr o risco de julgar que o que se diz tem o mesmo interesse para os outros que tem para quem fala, o que nem sempre acontece! E se se pensasse que o tema é pouco apelativo e que é preciso organizar o discurso de modo diferente para reter o máximo de atenção?

Uma audiência agarra-se ao que pensa que lhe pode trazer vantagens, daí ser de todo o interesse começar-se com frases que permitam uma ligação a quem escuta. Desta forma, é muito importante conhecer bem o público, uma vez que a intervenção torna-se tanto mais atraente e com mais capacidade de ser escutada se forem realçados benefícios pessoais para os que a ouvem.

António Mão de Ferro

 



 

DE QUE LADO ESTÃO OS FORMADORES E PROFESSORES?
 
A educação tem sido e continuará a ser constantemente questionada.
 
A ideia de que a educação poderá ser a “redentora da humanidade” foi sendo substituída por uma quantidade de argumentos de que referimos:
 
- Os que dizem que a educação valoriza, instrui e cultiva o espírito para uma melhor inserção na sociedade;
 
- Os que referem que significa a transmissão de valores de uma sociedade para outra;
 
- Os que dizem que é um instrumento de manipulação;
 
- Os que são de opinião de que não passa de um aparelho reprodutor da sociedade e da elite dominante que através dela difunde as ideias politicas de uma determinada classe;
 
- Os que aconselham mesmo a descolarização da sociedade e deixam a educação ao livre arbítrio de cada um.
 
E ficamo-nos por aqui em termos de uns e outros. Como é natural as propostas de mudança e de redefinição e reformulação da educação aparecem com uma certa insistência.
 
Quando se procura definir o perfil e as competências dos docentes, pois eles têm, a par dos alunos e dos formandos, uma importância fundamental nos resultados da educação, também há dificuldade na obtenção do consenso. E levantam-se questões, como por exemplo se o agente de ensino deve ser “transparente” ou usar “máscaras”. Se a sua atuação deve ser clara ou cheia de intenções, deve mostrar força ou fraqueza, segurança ou incerteza.
 
Deixando o docente por um bocadito e voltando à educação propriamente dita, tanto os que querem que ela vá por um determinado caminho, como os que querem que ela não vá por aí, parecem não divergir muito quanto ao que deve ser a sua finalidade: a necessidade de contribuir para a evolução e para a mudança.
 
Uns e outros parecem não se opor na utilização de métodos e processos que assegurem aos participantes uma adaptação ao presente que seja ao mesmo tempo válida para o futuro e que, apesar da sua incerteza, contribua para a formação de pessoas capazes de reagir positivamente aos contratempos da vida moderna, consciencializando-os dos seus deveres e direitos.
 
Voltando novamente aos docentes, constatamos que em relação a métodos de ensino, a sua divergência não é grande, pois tanto os que defendem ideias mais conservadoras como os que defendem ideias mais progressistas, utilizam os que lhe fazem correr menos riscos mesmo que isso enfraqueça ou diminua o espaço de intervenção dos que aprendem pois a sua preocupação passa muitas vezes pelo não enfraquecimento do seu controlo.
 
Será que os professores e formadores são progressistas na teoria e conservadores na prática? Dão eles um forte contributo para a manutenção dos sistemas educativos opondo-se à mudança, ou protestam para ela acontecer e empenham-se nesse combate?

António Mão de Ferro


 

 



 

O GRUPO EM FORMAÇÃO

Há muitas definições sobre o que é um grupo. Uma delas poderá ser a de que é um conjunto de indivíduos com um objetivo comum, e em interdependência, que cooperam para atingir o fim que os reuniu. O grupo é mais do que o somatório dos seus membros, considerados individualmente, e na formação não foge à regra.

A dinâmica de grupos tem o seu quê de fascinante, daí não constituir admiração que muito se tenha escrito sobre ela. Contudo após a leitura fica-se sempre com alguma insatisfação, pois pretende-se sempre saber mais. Nas ações de formação encontram-se participantes que pretendem a todo o custo encontrar receitas para aplicarem em determinados momentos.

Na formação de formadores chegam mesmo a perguntar o que devem fazer quando se verificam situações de apatia ou de agitação. Por vezes é difícil convencê-los de que uma determinada situação pode ser muito mais complicada do que parece ou ter muito menos importância do que se poderá pensar. Porém esta explicação nem sempre consegue convencer os que fazem a pergunta.

Se houvesse uma receita todas as pessoas seriam exímias a lidar com grupos, bastava ir a um curso, decorar tudo o que o formador dissesse, e aí estava o sucesso! Mas na realidade as coisas não se passam assim. Um formador terá de descobrir as causas de determinados sentimentos: interrogar, observar, escutar, prestar atenção ao que se passa, dominar uma variedade de métodos e técnicas, e a partir daí optar por uns ou por outros. Isto obriga-o a reformular as suas estratégias, muitas vezes já no decorrer da formação. Se assim não fosse perder-se –ia o fascínio de ser formador.

O conflito numa sessão de formação, pode acontecer porque todo o adulto possui determinadas maneiras de agir e certas ideias bem definidas acerca de si próprio que acompanham o seu sistema de ideias e crenças. Daí que nalguns casos admitir que necessita de aprender algo de novo é considerar que algo está errado no seu sistema presente.

Conseguir que ele se desprenda de ideias feitas para que possa encontrar outras maneiras de proceder será uma das tarefas do formador. Para isso terá de dominar um conjunto de técnicas pedagógicas. É portanto necessário que o formador tenha adquirido essas competências e para isso ele deverá ter feito um curso de formação pedagógica de qualidade.

António Mão de Ferro


 



 

OS MÉTODOS PEDAGÓGICOS

Curiosamente ainda parece haver quem não se tenha dado conta da importância dos métodos de ensino e daí que nem sempre se reflita com o devido cuidado acerca das consequências que advêm aquando da sua utilização.

No entanto, o que acontece é que o ensino informa e os métodos formam. Assim, consoante os métodos pedagógicos utilizados pelo formador, ou professor, os que aprendem podem vir a ser assertivos ou não assertivos, responsáveis ou irresponsáveis, organizados ou desorganizados. A reflexão sobre a escolha dos métodos pedagógicos não só deve ser uma obrigação, como um dever ético, pois a sua utilização pode contribuir para que os que aprendem:

-  obtenham a capacidade de memorizar ou interpretar;

-  sejam conformistas ou tenham gosto pela descoberta;

-  tenham uma visão alargada ou uma visão restrita;

- tenham o desejo de saber mais e de compreender os problemas do quotidiano ou a angústia de aprender para obter uma nota que lhe dê acesso ao canudo. 

Tal como a competência de um responsável da produção se mede pelo modo como planeia e organiza e pela maneira como utiliza os equipamentos com vista ao desenvolvimento eficaz do seu trabalho, a do professor, ou formador, mede-se pela escolha dos métodos mais adequados àqueles a quem se dirige e aos objetivos a atingir. Que não ignoraram que os participantes estão englobados num ambiente que influencia os seus métodos de pensar, sentir e agir e que o ambiente fora dos locais de ensino, como os contactos pessoais, os museus, as viagens, as bibliotecas, os media e a família, ou a pesquisa nas redes sociais, são tão ricos que, por vezes, assumem uma importância tão grande como as informações que os educadores transmitem. E que por isso podem influenciar aquilo que os docentes dizem.

De acordo com os métodos utilizados, podemos dizer que os formadores, ou professores, pretendem que o participante:

- domine toda a matéria do programa sem se preocupar com a sua originalidade;

- responda sem refletir, como se fosse um autómato;

- siga um determinado modelo de raciocínio;

- desenvolva as capacidades intelectuais em detrimento das atitudes e emoções;

- considere o ensino um desafio e procure respostas ainda não encontradas.

Os acontecimentos do quotidiano são cada vez mais turbulentos. A situação económica está a deixar no desemprego muitos formadores e professores, e como se isto não bastasse, verifica-se um aumento exponencial de novas maneiras de ensinar através das redes sociais, sem profissionais do ensino a tempo inteiro. É por isso um imperativo que permanentemente se questione, analise, teste e examine o uso dos métodos pedagógicos e se tome consciência das implicações que os mesmos têm na vida das pessoas com quem eles são utilizados.

António Mão de Ferro

 

 


 

QUEM O VIU E QUEM O VÊ

Outra das personagens que criei para os artigos que escrevia para o Diário de Noticias foi o Abrunhosa. Não, não tem nada que ver com o célebre músico e compositor Pedro Abrunhosa.

 Este Abrunhosa é um self made man e, se quisermos ser sinceros, faz parte de determinada geração de empresários portugueses. Tem poucas habilitações literárias e começou a trabalhar por volta dos 11 anos de idade quando terminou a escola primária. Do nada, foi fazendo crescer a empresa sem seguir teorias ou ideias produzidas por outros. Era um desses empresários com algum sucesso que conseguiu à custa de muito esforço atingir uma razoável posição no mercado. Começou mesmo a ser convidado para falar em encontros e, sempre que o fazia, falava desinibidamente e sem se preocupar com aquilo que os outros pensavam.

 Uma vez num encontro com pessoas que defendiam o relacionamento e a comunicação como fatores de coesão e do desenvolvimento das empresas, não esteve com meias medidas, e com convicção afirmou: As situações não se resolvem com paninhos quentes. Eu com três palavrões e dois murros na mesa resolvo todos os assuntos e quem não pensar assim, está errado! E perante algumas críticas ao que dizia, respondia: Fiquem-se com as vossas teorias que eu fico com as minhas.

 Eu falo a linguagem do povo, dizia com orgulho. Quando saí da escola primária com onze anos comecei a trabalhar, aprendi na escola da vida. O que eu sei foi aprendido na prática e por isso não me venham cá com teorias.

 As coisas foram correndo mais ou menos até que a concorrência começou a produzir o mesmo que ele e a praticar preços mais baixos. O Abrunhosa não desanimou, leu alguns livros consultou vários sites, participou em foros de discussão e recorreu à formação, primeiro frequentou ele alguns cursos e, depois, pediu para organizarem outros para os seus colaboradores. Mudou completamente a sua postura.

 Agora tem um discurso completamente diferente e diz que a formação é condicionada pela forma de organização, pelas relações existentes, pela comunicação que se estabelece e pelo trabalho que se efetua. Para criar um clima que facilite a iniciativa, o diálogo e a reflexão sobre as práticas, é preciso que a formação não seja abordada a partir de programas centrados nos conteúdos de determinado posto de trabalho, pois tirar partido de todo o potencial de uma organização exige a utilização de metodologias complementares àquilo que vem sendo feito. Isto de modo a dar resposta aos problemas através da utilização de estratégias formativas não apenas antecipativas, mas também pró-ativas. Ou, trocando as coisas por miúdos, diz ele com vaidade, definir estratégias inovadoras que criem oportunidades de negócio que se antecipem à evolução do ambiente e reduzam o risco e a incerteza.

Nada fazia prever que pelas suas caraterísticas o Abrunhosa tenha tomado esta atitude, o que só vem dar razão ao ditado de que nem sempre o que parece, é.

 

António Mão de Ferro

 

 

 

 


 

 

PARAR OU CORRER?

A história daquele indivíduo que entra num táxi e grita: “arranque rápido que estou com pressa” e fez com que o taxista partisse a grande velocidade e só passado algum tempo se apercebesse de que não sabia para onde ia, ilustra bem a pressão que se vive nos nossos dias de hoje.

Esta pressão, curiosamente parece agravar-se pela indecisão em que se vive e pelo facto das pessoas não saberem onde querem chegar e terem o imperativo de chegar! Isso faz-lhes perder tempo a elas próprias e aos outros, naturalmente com reflexos na produtividade do trabalho e nos negócios.

A pressão em que se é obrigado a viver e as alterações constantes a que é sujeita, obrigam a pessoa a adotar novos valores e atitudes, sem que tenha abandonado definitivamente os antigos. Isto faz com que se enrede numa espécie de “hibridismo cultural”, porquanto se vê obrigada a compartilhar valores e condutas diferentes, sem se sentir à vontade. Anda numa espécie de correria sem meta definida, à volta de um eu que desertou e de um eu que aceita como sendo seu. Isso cria sentimentos que tão depressa criam reações positivas, como negativas e aquilo que lhe parece certo num dia está errado no dia seguinte e o que ainda é pior podem parecer-lhe certos e errados ao mesmo tempo.

Estas “correrias” criam frustrações ao homem e à mulher porquanto os obriga a despender energias desnecessárias e diminui-lhes a capacidade para resolverem as situações laborais inadequadas com que se defrontam.

A pressão obriga-as a procurarem um equilíbrio entre a discordância e a harmonia, a repulsa e a atração e isso é gerador de stress e causador de problemas.

Nada mais importante do que fazer uma pausa, mas se isso é fácil de dizer nem sempre é fácil de fazer, porque “quem está dentro do convento é que sabe o que lá vai dentro” e enquanto uns fazem a pausa vão os outros andando e o governo anunciando mais uma medida que não se sabe se é para ir em frente, se para voltar atrás, o que quer dizer que mesmo quem pára assiste à indecisão não dele, mas de outros que decidem sem saber onde querem ir e que mesmo que voltem para trás já perturbaram o psiquismo de uns tantos, a quem as medidas afetam, e que ficam sem saber se continuar a pausa, se voltar a correr com cada vez mais velocidade. Mas que chatice ter que voltar a correr, só porque se parar pode ser pior!

António Mão de Ferro 

 


 

A HISTÓRIA DA BICICLETA

Durante mais de seis anos escrevi para o Diário de Notícias nas áreas do emprego e da formação profissional. Nessa altura criei algumas personagens. Uma delas era o meu amigo Aristides.

Era uma figura com sentido de justiça, umas vezes parecia um intelectual, outras revelava alguma ignorância na abordagem dos assuntos, mas era interessante, e também capaz de dar grandes secas. A história da bicicleta que ele me contou timtim por timtim, foi uma delas.

Tinha uma bicicleta já antiga mas pela qual tinha uma grande afeição, pois foi o seu transporte quase exclusivo, durante a fase da adolescência.

Ela precisava de um conserto, mas ele não encontrava uma pessoa de confiança que o fizesse. Um dia disseram-lhe que ali para os lados de Santarém havia um especialista de nome Gervásio. Partiu logo à procura dele.

A primeira pessoa a quem procurou disse-lhe, vá por esse caminho fora até encontrar uma farmácia, corte à sua direita e depois à sua esquerda, siga em frente até encontrar um pelourinho, contorne-o e siga em frente até uma casa pintada de verde, vire à direita, depois à esquerda e novamente à direita. Seguindo as instruções, ainda chegou ao pelourinho, mas a partir daí não sabia por que caminho seguir pois deparou-se com quatro hipóteses.

Perguntou então a uma Sra: -onde fica a pessoa que arranja bicicletas? Ela disse-lhe, há nesta terra três indivíduos que arranjam. Um nunca lá está. Outro está mas de vez em quando vai beber um copo à taberna do Isaias, leva barato mas não é de confiança. Resta o Gervásio, que é o mais sério, mas que não leva barato. Ainda tem que andar um bocado para lá chegar, contorna esta rua que está ali, e apontou para lá, e depois de passar à casa com uma risca verde ao alto, vira à direita, continua em frente, depois vira à esquerda e novamente à esquerda, encontra um portão grande, entra e aí encontra o Sr. Gervásio.

Aí vai o Aristides a fazer o caminho que a Sra. lhe indicou só que na última rua em vez de virar à esquerda devia virar à direita e andou às voltas, até encontrar um indivíduo com cara de poucos amigos que, quando ele lhe perguntou onde ficava a casa do Sr. Gervásio, lhe disse bruscamente: Vire á direita. Assim fez e lá encontrou o portão e, depois de andar um pouco, deu com a oficina. Antes porém de continuar a descrever toda a conversa fez um parenteses, para dizer que depois de entrar no portão, encontrou uma velhota sentada, com um chapéu de palha, a apanhar sol, que olhou para ele e lhe disse: - salve-o Deus, e ele sem saber muito bem o que dizer, disse obrigado! Chegou à oficina e encontrou o mestre. Depois de o cumprimentar, disse-lhe, já sei que o Sr. se chama Gervásio, que arranja bicicletas e que é uma das pessoas mais conceituadas na matéria, ao que o Gervásio respondeu: Já sabe muito! Espero que não se assuste com os preços, e lá continuaram a falar.

Claro que o Aristides ainda contou em quanto orçava o trabalho do conserto da bicicleta e a conversa que teve com o Gervásio que demorou mais de uma hora, mas sinceramente acho que já ninguém tem paciência para ler mais sobre a história da bicicleta do meu amigo Aristides. Se por acaso ainda não desistiu de ler, termino já. Obrigado pela paciência

António Mão de Ferro
 


 

SER OU NÃO SER É POSSÍVEL?

Perder o domínio de si próprio é mais fácil do que pode parecer à primeira vista. Mesmo as pessoas aparentemente mais tranquilas e imperturbáveis o perdem. Talvez por isso seja uma boa ideia, a pessoa questionar-se a si própria, para procurar conhecer-se melhor.

Porque não fazê-lo hoje? Imagine-se em frente a um espelho. Sente o domínio de si, tem a perceção do rosto da fisionomia e da expressão que o outro observa em si? Qual é a sua imagem? Alguns apresentam uma expressão súbita, brutal, incontrolada e o rosto dá a sensação de que estão “fora de si mesmos”. Contudo por norma há uma grande diferença entre o ser e o parecer.

Mas continue a comtemplar-se. Tem rido com naturalidade? Admira-se da pergunta? Não se admire, porque o sorriso natural está a escassear. Está a dar lugar ao aparecimento do riso provocado, inventado. Observe os profissionais que lidam com o público e repare na sua falta de espontaneidade e naturalidade. Será que é muito diferente deles? Se se continuar assim tem-se pessoas que não choram, não se encolerizam, não riem, não têm expressão, não têm iniciativa, ou entusiasmo, nem nada que as galvanize.

É por isso que as pausas contemplativas são importantes para se ser capaz de responder às questões: quem sou, onde estou, onde pretendo chegar?

Quando fizermos isso começaremos a dar mais sentido às palavras e frases, como por exemplo, “é preciso ser objetivo”, e chegar-se facilmente à conclusão de que aquilo que é objetivo para uns, não o é para os outros. Será possível apreender a realidade? Ou quando nos apercebemos que perante a mesma situação um vê uma ameaça e outro, uma oportunidade, ou quando uns experimentam prazer pelo entusiasmo e pela franqueza e outros pela apatia e indiferença, temos dificuldade em a apreender? E quando uns dizem “eu não vou por aí” e outros vão na onda, ainda constatamos melhor que a realidade é aquilo que cada um vê ou observa.

Sendo assim também aquilo que poderá parecer uma perda de domínio para uns, será naturalidade para os outros.

António Mão de Ferro


 

OS COLABORADORES E A EMPRESA

“Ninguém é grande para o seu criado de quarto”. Este ditado tem passado de geração em geração. Quando os “senhores” tinham criados de quarto, estes, por muito herói que o amo fosse, viam-no na intimidade, de cara suja, rameloso, despenteado, com a barba por fazer, com dores de cabeça, e por vezes, deprimido. Naturalmente porventura questionar-se-iam: Mas isto é que é um “homem grande”?!

O que se passa com os colaboradores das empresas tem algo de semelhante. Eles conhecem o seu modo de funcionamento em pormenor, reconhecem-lhe os defeitos, as inconsequências, a desorganização e os pontos fracos. Daí desconsiderarem muitas vezes aquilo que é desenvolvido e os processos de trabalho.

No entanto há coisas que nem sempre têm presentes: é que a organização também é feita por eles e que a sua influência tem reflexos na sua cultura e, claro, no seu modo de funcionar. Se é verdade que as empresas não podem desconsiderar os que nela trabalham, estes não podem limitar-se a ser críticos sem darem o seu contributo para a melhoria do que acham menos correto, ou porem-se à margem da organização quando as suas ideias não são seguidas. Porque se eles têm o direito de dar opiniões e sugestões, quem decide tem o direito de não as seguir.

Passa-se mais tempo na empresa do que com a família. A organização e o indivíduo estão de tal modo ligados que quando sentem tristeza ou alegria têm dificuldade em explicar se isso se deve ao próprio ou ao trabalho que desenvolve.

O local onde se exerce a profissão ocupa um espaço grande na vida das pessoas. Quando duas pessoas da mesma empresa se encontram fora dela têm dificuldade em deixar de falar dela, pois é nela que passam a maior parte da sua vida. É por isso importante que se tenha um bom conceito acerca dela e se dê mais enfase aos seus aspetos positivos. Que se tenha orgulho naquilo que se faz e se sinta parte da equipa, vestindo a camisola e dando o seu contributo para levar a bom porto o projeto da empresa e criar condições para que ninguém se sinta excluído.

No futuro os colaboradores mais bem-sucedidos assemelhar-se-ão cada vez mais ao jogador de futebol, que é tanto mais valorizado quanto mais contribuir para o aumento da qualidade e quantidade de jogo desenvolvido. Os que revelarem mais lealdade para com a empresa, despenderem mais energia, revelarem mais capacidade para vencer obstáculos, para tornar a empresa mais agressiva num mercado cada vez mais concorrencial, serão certamente os mais bem-sucedidos e terão menos possibilidade de cair no desemprego.
 
António Mão de Ferro


LEVAR A CARTA A GARCIA

A velocidade com que se desenvolvem teorias sobre gestão e a facilidade com que se acede às novas tecnologias não têm sido acompanhadas pela mudança de atitudes. As teorias sobre motivação também não têm conseguido aumentar as formas de intervenção nas organizações, não sendo raro que quem dirige ou quem é dirigido se encontre perdido. Se por um lado na maior parte dos casos as pessoas se sentem ligadas à organização por dela fazerem parte, por outro, consciente ou inconscientemente, acabam por ficar enredadas em rotinas, nivelando por baixo o seu comportamento. Isto, conjugado com a crise que se atravessa, está a contribuir para a falência de muitas empresas e a atirar para o desemprego muitos milhares de pessoas.

Para que se deixe continuar a assistir à falência de empresas, com as desastrosas consequências a que vimos assistindo, e para que seja possível a criação de empresas que venham substituir as desaparecidas, é necessário que se criem condições para levar a “carta a Garcia”. Reza a estória que quando da guerra entre Espanha e os Eua, a propósito da colonização de Cuba pelos primeiros, era necessário entrar em contacto com urgência, com o chefe dos insurretos Cubanos, o General Garcia, que se encontrava algures nas montanhas de Cuba, mas ninguém sabia onde. Não se conseguia comunicar com ele pelos meios existentes à época, o correio e o telégrafo. No entanto o Presidente dos Estados Unidos tinha de o encontrar com urgência e obter a sua cooperação.

Que fazer perguntava o presidente? Alguém então lhe disse: Há um homem que consegue entregar a carta a Garcia.

Mandaram chamar esse homem e deram-lhe uma carta para entregar a Garcia. Ele pegou na carta, colocou-a sobre o coração e quatro dias depois, desembarcou de um pequeno barco, de noite, na costa de Cuba. Ao fim de três semanas saiu da ilha pelo outro lado da costa, depois de ter atravessado a pé uma região hostil e ter entregado a carta ao General Garcia.

Nos tempos que correm é imprescindível que as empresas sejam capazes de cumprir a missão a que se propõem por mais difícil ou impossível que possa parecer.

António Mão de Ferro

 


 

EVITAR O DIÁLOGO DE SURDOS

Posso ouvir sem escutar nada, mas não posso escutar sem ouvir. Escutar ativamente é um processo complicado e quando é bem feito, melhora, como é evidente, e muito, a eficácia da comunicação. Apesar disso, conta-se que uma empresa de formação organizou dois cursos: Um para ensinar a falar e outro para ensinar a escutar. O primeiro estava sempre cheio de participantes e realizou-se várias vezes. Porém o que ensinava a escutar nunca funcionou por falta de interessados.

Apesar de se dizer que quem fala semeia e quem escuta colhe, muitos preferem aprender a falar e poucos a escutar. Provavelmente porque de um modo geral se considera que escutar é um processo simples e com o qual não vale a pena perder tempo.

No entanto escutar ativamente não é um processo fácil. Não acredita? Então experimente. Pode reunir a família ou um grupo de amigos e proponha-lhes que falem sobre um tema. Não interessa o assunto, mas siga as regras que lhe vou dizer: Depois de escolhido o tema e após a primeira pessoa falar, a que intervier a seguir terá de fazer um resumo do que foi dito antes de começar a expor a sua opinião. Quem falar a seguir deve resumir o que a anterior disse e assim sucessivamente. Vai ver quanto é difícil as pessoas fazerem um resumo do que a anterior disse.

Ao aperceber-se da dificuldade em interpretar o que os outros dizem passará certamente a relacionar-se com os outros de modo diferente. A melhor forma de o fazer é reformular com as suas próprias palavras o que o interlocutor disse. A resposta que ele der, permitir-lhe-á aperceber se ele se sente compreendido ou não.

Procedendo dessa forma estará certamente a melhorar a eficácia da comunicação. Convém não esquecer de que, por norma, quem escuta tem mais possibilidades de ser escutado. Pois quando o interlocutor não se sente escutado e em vez disso é confrontado com juízos de valor também não procura escutar, mas rebater o ponto de vista do outro e defender o seu com cada vez mais enfase. É o chamado diálogo de surdos!
 
António Mão de Ferro

 


 

 

A PALAVRA É UMA MÁSCARA E A OPINIÃO UM ESCONDERIJO

Um amigo entra no atelier de um pintor, depara-se com o artista em frente do cavalete a pintar um quadro e pergunta-lhe o que representa aquilo que pinta. Obtém como resposta: - Ainda não sei. Depois de acabar o quadro logo se vê.

Esta história faz lembrar os tempos que atravessamos em que a objetividade se afasta tanto mais quanto se pretende alcançá-la. Na maior parte das situações, a objetividade é inatingível ou irrelevante e, na pior, simplesmente não existe. Esta dificuldade de operacionalizar as coisas advém do facto de muitas vezes se representar um papel em vez de se ser o próprio. Quem sou eu? Não sei, depende da situação em que estiver envolvido. Esta será a resposta se se for sincero.

Parece achar-se normal que os preconceitos e interesses se traduzam em ideias e se difundam nos pensamentos e nas ações independentemente da sua concretização. É-se diferente dos outros, mas há situações em que se é como os outros. A pessoa é o somatório dos papéis que desempenha. É uma quando está a representar e outra como é. Pensa como pensa, porque também é como é. Como poderá pensar de modo diferente das vivências em que participa, das oportunidades que lhe surgem e das dificuldades que tem que vencer?

Mas, se se pensar bem, que utilidade tem aquilo que atrás dissemos? Sim se as coisas são como são, para quê perder o tempo de quem escreve e de quem lê?!

Vendo porém as coisas de outro modo: a interrogação é o motor da atividade humana, mas, há sempre um mas, as perguntas que se fazem e as respostas que se dão não estão desligadas do ambiente em que se está inserido. E em muitos casos, a pobreza de certos postos de trabalho é tão grande, e as normas tão apertadas, que não estimulam a descoberta, nem as novas maneiras de organizar os processos de trabalho. As grandes organizações pensam pelos colaboradores mesmo que o trabalho se desenvolva em países diferentes daqueles onde as normas são elaboradas. É por isso que muitos acabam por se acomodar e deixam de se questionar. Não admira por isso que muitas vezes a palavra seja uma máscara e a opinião um esconderijo.
 
António Mão de Ferro

 


 

CINEFANTASIA PRECISA-SE

As organizações movem-se afastando-se dos sistemas de referência e das explicações porque se orientaram durante várias décadas. Como se isso não bastasse, mudam de objetivos e “interrogam-se” a si próprias sem conseguirem responder. A dúvida instalou-se em todo o lado.

Os pontos de referência que antigamente marcavam o percurso da vida, deslocam-se ou confundem-se:

- aumento da duração da educação e diminuição da competência técnica adquirida;

- dificuldade da escola em propor objetivos reconhecidos como válidos para a vida;

- sexualidade ativa mais precoce;

- família enfraquecida não só pelo fenómeno do divórcio, pela demissão dos pais, mas também pela dedicação da mulher que, ao assumir a sua carreira profissional, dedica menos tempo à família, o que faz com que as competências sociais transmitidas e adquiridas sejam mais precárias ao ponto de muitas vezes perderem a sua legitimação;

A ideia que começa a pairar é a de um mundo “indo por si”, feito de rotinas, em que o indivíduo não consegue determinar o seu papel e a sua atitude. Não se considera responsável por coisa nenhuma, e claro, pela violência social, porque, segundo ele, tudo o ultrapassa!. A sua explicação é que a violência social depende dos outros!

Perante isto a inquietude está a começar a ser o “destino” da maioria das pessoas e muitas não têm consciência de que apesar da incerteza, passe o que se passar, mude o que mudar, o que acontece nas organizações está relacionado com a atuação das pessoas. Talvez seja a altura de cada um aceitar um maior número de responsabilidades a fim de que se possa desenvolver profissionalmente, estimular a originalidade de pensamento, a capacidade de análise crítica, a integridade, deixando para trás os modelos antiquados das armadilhas e dos códigos sociais existentes.

A cinefantasia, por ser a dimensão infinita do possível e  inseparável da visualização criativa, pode ajudar a mudar muitas situações, pois possibilita sentir a realidade imaginada como possível para a fazer acontecer. A cinefantasia permite criar a realidade a partir do que não existe. Então CINEFANTASIA JÁ.
 

António Mão de Ferro

 


 

PEDAGOGO E PEDAGOGIA

Quanto vale o conhecimento? Não será ele a principal base de valor acrescentado nas Organizações? Não será o progresso determinado por ele? Numa altura em que tudo é posto em causa, será mais importante ser detentor do saber ou, pelo contrário, conseguir encontrá-lo quando dele se necessita? Ora, o saber não é uma coisa absoluta, varia segundo as circunstâncias e o modo como o olhamos. Não existe de modo isolado, é partilhado, nasce da troca. É neste contexto que a aprendizagem assume uma importância crucial. Importa por isso que os sistemas de ensino repensem o modo como é ministrado, daí que se deverá ter em conta que o desafio que se coloca com cada vez mais premência é a utilização de um modelo pedagógico mais apropriado, mais rico, mais adaptado, que para além dos conteúdos veiculados por formadores e professores faça com que, especialmente em cursos com adultos, as sinergias do grupo constituam uma preciosa mais-valia.

O pedagogo tem que ter uma atitude aberta e, para além de se preocupar com os resultados do seu ensino e com a obtenção dos objetivos propostos, deverá conseguir que se projete no futuro uma visão desejada das coisas, ainda que incertas e não acabadas. É preciso uma pedagogia que contribua para que o indivíduo encare o amanhã com um sorriso. Um amanhã em que possam intervir os seus atos, a sua iniciativa, a sua singularidade, sem necessidade de renegar a sua história nem o vivido anteriormente.

Mas a pedagogia, conjunto dos meios utilizados para ensinar, está em ebulição e em permanente construção. É instável porque está dependente do tempo e da sociedade, daí a dificuldade que professores e formadores têm para lidar com ela.

Bebeu do progresso das investigações ligadas ao ser humano e de tudo o que pode ajudar nas suas tarefas. Comporta elementos muito antigos e contribuições recentes. Dificilmente se encontram nela ruturas bruscas e, quando tem havido tentativas para o fazer, muito raramente têm tido sucesso, porque o presente germinou no passado e no presente tem que se construir o futuro.

Mas a pedagogia está longe de ser uma ciência de segunda e longe vai o tempo em que o pedagogo dava origem a sátiras e troças porque o seu valor contrastava com as suas pretensões e porque se tornava facilmente dogmático. Ao conhecer poucas coisas ignorava a sua ignorância, chegando mesmo a ser desprezado devido à sua pretensa ciência.

Alterar o modo como se transmite e obtém o saber deve ser uma das grandes preocupações dos professores e formadores. Quem aprende não pode ser empanturrado com conteúdos como se se tratasse de um saco de batatas que é preciso encher.
 

António Mão de Ferro

 


 

 

VALORIZAR OS CONHECIMENTOS

Nunca como hoje foi necessária uma atualização tão constante dos conhecimentos, e de um aperfeiçoamento permanente, de todos os colaboradores de uma empresa. A velocidade do progresso técnico faz-se sentir nos resultados do trabalho e exige conhecimentos práticos e teóricos muito elaborados. Daí se poder prever que no curto prazo haverá um aumento da procura de formação. Para que esta não seja vista pelos colaboradores como um “regresso à escola”, e antes como uma oportunidade de atualização, é necessário que o conteúdo dos programas de formação esteja relacionado com as suas necessidades de desenvolvimento.
 
Aquilo que se está a passar no meio laboral, além de exigir que se detenham competências polivalentes, requer cada vez mais a capacidade de trabalhar em equipa. Qualidade que o ensino tradicional não estimula devido ao modo como está estruturado e ao facto de atribuir uma importância fundamental aos resultados individuais.

Há quem seja da opinião de que não se deve conceber a formação profissional de acordo com as necessidades detetadas na empresa ou pela evolução dos modos de produção. Referem que o que é necessário é fazer uma formação de banda larga, tal é a velocidade a que se dá a desvalorização ou se ultrapassam os conhecimentos.

Esta maneira de pensar não passa na maior parte dos casos de um pretexto para esconder a grande dificuldade que coordenadores e formadores têm em organizar a formação apoiando-se na prática dos participantes, levando-a a novos níveis de compreensão. Estes permitem compreendê-la de maneira diferente na sua realidade histórica e estrutural, para então projetar novas ações de maneira mais consciente.

Assim, para que a formação profissional não seja vista pelo adulto como um fardo, é necessário construir modelos formativos racionais, que desencadeiem um processo evolutivo e permitam a aquisição de competências técnicas e sociais que tenham em conta o presente e eliminem o receio do futuro.


António Mão de Ferro

 


 

A CONJUGAÇÃO DE ESFORÇOS FAZ A DIFERENÇA

Cada vez mais são as pequenas diferenças que fazem as grandes diferenças. Para que as empresas se diferenciem é necessário terem pessoas voluntariosas que, através de pequenas diferenças no comportamento, na atitude e nos modos de trabalhar, façam as grandes diferenças. Nas organizações precisa-se da atitude e do esforço do avançado de futebol que corre atrás de uma bola que está quase a sair pela linha de cabeceira quando os outros já não acreditam ser possível apanhá-la. Mas ele acredita, corre, corre, e marca um golo!

Numa altura em que é imprescindível repensar a organização, as coisas não estão para os acomodados. As alterações dos mercados e a rápida obsolescência dos produtos exigem uma força de trabalho qualificada e empenhada. É fundamental que os colaboradores sejam responsáveis e que tenham maturidade para que possa ser-lhes dada autonomia, que sejam capazes de diversificar o trabalho e otimizar os saberes. Isto implica que tenham raciocínios claros e estejam à altura das exigências dos clientes, que saibam o que podem fazer para os satisfazer, mesmo que se tenham que alterar estratégias com frequência. Isto implica ainda que na empresa também se tenha em conta que os clientes internos devem ser tratados com dignidade, e esse aspeto está dependente de todos os que constituem a organização. Todos deverão estar disponíveis para dar e receber no sentido de serem satisfeitas as suas necessidades e ajudarem a satisfazer as dos outros.

Para além de um raciocínio apurado, é necessária uma coerência que não baralhe uns e outros. E, se não houver adesão das pessoas que compõem a empresa, humildade para se reconhecer a impotência do sistema perante novos valores em crescimento.

No futuro ganharão certamente as empresas que tenham colaboradores que sejam capazes de se mobilizar e mobilizar os outros, para que se atinjam determinados fins. Para isso é preciso que ninguém jogue nas meias tintas, defenda e se responsabilize por aquilo que faz, se sinta parte do grupo, celebre os sucessos e tudo faça para minimizar atritos e mal entendidos. Ao integrarem as equipas de trabalho, os bons colaboradores conhecem-se quando perante um problema se centram na sua solução, mobilizando para isso todos os seus saberes, para sanarem todas as falhas e fazerem a diferença nos serviços que prestam.

António Mão de Ferro

 


 

COMPETIR PARA GANHAR

No momento que atravessamos os percursos empresariais são feitos com fraca visibilidade, as relações mudam constantemente, as interações tornam-se mais complexas, as informações multiplicam-se, a autoridade muda e a orientação não pode ser a mesma. O outro já não é o ignorante de outrora que aceitava submeter-se àquele que sabia. O outro também sabe, ainda que noutros domínios. O saber faz o crítico, mas nem sempre facilita o entendimento. Estamos a atravessar o tempo das incompreensões entre os que aprenderam a compreender melhor!

A informação está acessível a todos e a toda a hora. O êxito de uma empresa depende da sua capacidade de interação com o meio, mas opera numa espécie de turbilhão social. O número de oportunidades e ameaças multiplicam-se. Umas e outras exigem equipas que sejam capazes de tomar decisões difíceis e façam as coisas acontecer. Para isso é preciso batalhar constantemente para oferecer os melhores produtos e serviços, surpreender os mercados e ter a preocupação de lançar os seus produtos no mercado em primeiro lugar. Claro que isso tem os seus custos, um dos quais é a possibilidade de atrair imitadores, que ao introduzirem as versões imitadas no mercado normalmente fazem-no a preços inferiores. Esses imitadores também fazem pressão para a necessidade de uma inovação constante e para que se tenha que optar por: baixar o preço para proteger a sua quota de mercado e contentar-se com lucros menores; manter o preço e perder alguma quota de mercado ou encontrar uma nova forma de melhorar o produto e manter o preço corrente. A terceira hipótese é para nós a que oferece mais possibilidades de poder manter a rentabilidade no longo prazo.

No entanto seja qual for a opção seguida, é necessário ter presente que um produto só é um produto quando se vende e que o único centro de lucros é o cliente. Para o manter não se pode descansar. Ainda que se tenha vantagens momentâneas, tem de se estar sempre à procura de novas vantagens.

Ter uma vantagem sustentável de longa duração é o sonho das empresas, mas, num mercado com elevados níveis de concorrência, começa a ser um sonho muito difícil de realizar. E é um sonho que exige da parte das equipas que constituem as empresas esforços acrescidos e uma grande dedicação ao cliente. Por isso nas organizações de elevado desempenho tudo começa e acaba no cliente.

Competir exige um fluxo constante de decisões precisas e ponderadas que muitas vezes têm de ser tomadas em tempo real e debaixo de pressão. Mas para a sobrevivência das empresas e dos postos de trabalho, todos os que nelas trabalham têm que ter o desejo de obter bons resultados.

António Mão de Ferro

 


 

VERDADES E MENTIRAS, AINDA SE DIFERENCIAM?

Ainda não há muitos anos que um dirigente desportivo disse que o que hoje é verdade amanhã é mentira. Na altura foi considerado motivo de risos. E pior ainda, revelador da falta de regras que na altura imperavam no futebol. Imperavam na altura, e agora? Fique o leitor descansado que não vou falar sobre futebol. Mas não posso deixar de dizer que não passaram muitos anos e infelizmente, hoje, a verdade que é dita num dia, nem sequer chega ao dia seguinte! Agora diz-se uma “verdade”, para passado muito pouco tempo deixar de o ser e passar a ser o seu contrário. Desta vez já não só dita por dirigentes desportivos, mas por aqueles que governam o País, e que têm obrigação de ponderar o que dizem. De um dirigente desportivo, ainda se podia tolerar, mas de governantes?!

Não estranho por isso ter lido algures a história de um visionário que quanto mais acreditava nas sua versão mais hipóteses lhe atribuía de poder estar errada. Embora pareça um paradoxo talvez não o seja. Se pensarmos bem, a história do visionário tem uma certa razão de ser e neste momento já não por causa do dirigente desportivo, nem do governo, que não são o melhor exemplo para quem quer empreender com dignidade, mas porque ao insistir-se demasiado num ponto de vista, maiores são as hipóteses de se bloquearem outros modos de atuar.

Parece ter-se chegado a um ponto em que é importante que quem decide ouça pessoas que não concordam com aquilo em que ele acredita. Isso não é muito propício à maneira de pensar de muitos dirigentes, porque sempre gostaram de se rodear de yes men que concordem com o que eles dizem e elogiem as suas “brilhantes ideias”.

Há quem argumente que não se pode perder tempo a tomar decisões pois o mercado hoje em dia move-se com uma velocidade tal que a falta de agilidade pode fazer perder muitos negócios. As decisões de longo prazo terão de ser tomadas no tempo em que se tomavam as de curto prazo, daí que não convenha perder tempo no confronto de opiniões.

Não pretendo criticar as ideias e opções de cada um, correm-se riscos quando se muda ou não muda, se inova ou não inova. Contudo uma coisa parece certa, a rotina convive mal com a fase em que vivemos. São necessários confrontos de opinião,  novos conceitos, novas ferramentas de gestão que por sua vez exigem mudanças constantes. Daí a importância de pôr em causa maneiras de estar e de fazer para a obtenção de novos resultados.


António Mão de Ferro

 

 


 

ENTUSIASMO E CRIATIVIDADE

A situação que atravessamos apela a uma visão diferente das coisas e a um profissionalismo muito mais acentuado. Quando a maré está a favor todos parecem bons navegadores, o pior é quando vem a tempestade e o navio fica à deriva. É nessas circunstâncias que se vê a coragem do comandante e o valor da equipa, que terão de ser traduzidos na capacidade de superarem o perigo, o infortúnio e o medo. É nestas alturas que se verifica se os métodos de trabalho dão resultado e se cada um colabora até ao limite das suas forças para que o barco seja conduzido a bom porto.

Neste momento uma grande parte das nossas empresas anda à deriva e muitos responsáveis não conseguem aguentar, muitas vezes por falta de competência, mas outras porque numa boa parte dos casos a equipa é fraca e os seus elementos não se complementam nem revelam qualquer iniciativa, funcionam um bocado como o ditado, “aqui estás João, faz o que te mandam, come o que te dão”.

Os tempos que correm não são para acomodados, exigem para além da coragem e da firmeza nas decisões uma grande capacidade criativa. Se se ponderar bem verifica-se curiosamente que a criatividade parece atingir o seu auge nas situações de crise. À medida que se põem em prática novas ideias, a perspetiva vai-se modificando.

O mundo é como ele é e não como gostaríamos que fosse, contudo a visão que dele temos varia de acordo com a observação que dele fazemos. Muitos consideram que é um “mundo cão” onde não vale a pena descruzar os braços, porque quando o mundo que têm na sua cabeça mudar, a sua vida mudará com ele. É-se ganhador ou perdedor, de acordo com o destino do mundo.

Outros nunca cruzam os braços e acreditam que é possível chegar àquilo que idealizaram. Consideram que parar, esperar ou recuar é próprio dos fracos e que, se as coisas estão mal, é preciso assumir cada vez mais riscos, aceitar cada vez mais desafios e empurrar para a frente, até se conseguir atingir os objetivos que se pretendem. Consideram que o impossível ainda não foi tentado e que as coisas só são impossíveis até alguém as fazer a primeira vez. Mesmo quando o esforço empreendido não dá os frutos pretendidos, e os projetos a que dedicaram durante bastante tempo o fruto do seu trabalho e do seu dinheiro, se esboroam, continuam a dizer que a pessoa não está acabada quando fracassa, mas quando desiste.

António Mão de Ferro 

 


 

OUVIR E ESCUTAR: AS DIFERENÇAS

Os tempos que se vivem arrastam consigo a pobreza das relações interpessoais. Nas grandes cidades vive-se rodeado de gente e cada vez se comunica menos. Está a viver-se o tempo das multidões solitárias, em que não é raro um indivíduo passar indiferente diante de um seu semelhante caído na rua, ou barafustar perante o “azelha” que deixou ir o carro abaixo, ou até que teve o azar de ter uma avaria na rua por onde outros circulam.

Habita-se num prédio onde vivem outras pessoas e na maior parte dos casos a comunicação não vai além de bom dia, boa tarde ou boa noite e evita-se chegar ao mesmo tempo que o vizinho ao elevador para não ter que subir ou descer com ele.

Na família a relação também desceu significativamente. Apesar de nunca como hoje se dispor de tanta e tão rápida informação, chegando-se ao ponto de saber o que de mais significativo se passa no mundo e, paradoxalmente, não se saber o que se passa com os que estão mais próximos e habitam o mesmo lar. É frequente muitos pais só se darem conta de determinados problemas dos filhos quando eles já são irreversíveis.

Cada vez se escuta menos. Confundem-se as palavras ouvir e escutar, considerando-as muitas vezes como sinónimos, mas há uma distância grande entre as duas palavras. Ouvir é receber os estímulos sonoros que chegam aos ouvidos é um processo passivo. Escutar implica compreender o que é dito. Pode-se ouvir sem escutar, mas não se pode escutar sem ouvir. Escutar é um processo ativo que consiste na interpretação do que o interlocutor disse e implica entender aquilo que está a ser comunicado. Escuta ativa, implica atenção, esforço, concentração e pressupõe a compreensão de dois componentes: o conteúdo da mensagem, que é o mais evidente e mais específico, e o sentimento e a atitude subjacentes a esse conteúdo. Escutar ativamente não é pois uma tarefa fácil e para se conseguir é necessário cuidar das reações àquilo que nos é dito.

De um modo geral, quando nos dizem alguma coisa, entendemo-la segundo o nosso ponto de vista, e não o de quem fala. Inconscientemente ou não, questionamo-nos: Estou de acordo com o que é dito? Daí à formação de juízos é um passito, e por norma a nossa resposta não vai ao encontro do que nos foi dito, mas sim no sentido de fazer prevalecer o nosso ponto de vista. Queremos influenciar e a partir daí é natural que o nosso interlocutor se ponha na defensiva.

O aumento da capacidade de escuta, é seguramente uma passo importante para tornar mais rico o relacionamento interpessoal.


António Mão de Ferro

 


 

AS INCERTEZAS DO CONHECIMENTO

Pode enviar-se uma mensagem para todo o mundo num centésimo de segundo. No entanto tem-se grandes dificuldades em comunicar as coisas aos que estão próximos e é capaz de se levar anos a passar uma simples ideia! E porquê? Porque há uma tendência para o refúgio nas ideias feitas e o confronto com problemas não rotinados é uma complicação, que gera desconforto, desentendimento e resistência à mudança.

Todavia na situação atual é cada vez mais necessário, não só ter-se uma mente aberta, mas também ponderar várias hipóteses, testar várias alternativas, ver-se a si mesmo como um estranho ou um viajante que regressou de uma viagem, que espicaça e põe questões. Porque apesar da crise, há mundos para refazer e gente que quer mudar. E se se considerar que muitos factos em que se acredita são falsos ou disparates e que apesar de se dispor de informação como nunca se dispôs, aquilo que se sabe corresponde cada vez menos à verdade?!
 
Quando nos questionamos torna-se mais nítida a análise das situações e começa-se a ponderar a hipótese daquilo que se procura não ser visível, mas estar por aí, muitas vezes escondido, logo abaixo da superfície dos locais onde se procura. O conhecimento é um oceano de matizes diversas, daí que a estratégia a seguir tenha que levar em conta as certezas e incertezas, as probabilidades e improbabilidades, as várias abordagens sobre o assunto. Falar com um interlocutor sobre algo de que ele tem a certeza, ter-se uma visão contrária ao que ele diz, e aceitar a possibilidade de ser válido o que um e outro dizem, é reconhecer o encanto da realidade e as múltiplas maneiras de a encarar. São as diferentes perspetivas que abalam as certezas, levantam problemas, abrem a porta a novas discussões, e o caminho para o progresso.

Talvez pelo que se disse, e por muitas outras coisas não ditas, é que é mais fácil enviar mensagens para todo o mundo do que compreender o pequeno mundo em que se vive, e intervir nele. Pensar é um “desporto pouco praticado”. Prefere-se seguir os fazedores de opinião e confiar que os problemas que se vivem acabarão por ir sendo proporcionais à capacidade de outros os resolverem ou ultrapassarem.

António Mão de Ferro

 


 

ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS

Numa organização há rivalidades, simpatias, ou antipatias, que vão ter reflexos na formação. É preciso por isso que o formador esteja atento aos participantes, aos seus apartes, aos seus silêncios e às suas intenções, pois estes são todos fatores inibidores do funcionamento dos grupos, dificultadores da aprendizagem. Contudo podem dar boas indicações para a estratégia a seguir.

Normalmente os comportamentos evidenciados dão lugar à formação de subgrupos que se posicionam em extremos opostos e arrastam consigo aqueles que são neutros. No entanto a rivalidade pode não assumir um caráter explícito e exigir que o formador provoque a situação.

Nesses casos é muito importante que o formador faça alguma coisa. Ele pode “elevar a parada” e provocar o grupo.

Este, que estava a ter dificuldades em sair do seu conflito interno e que consciente, ou inconscientemente, procurava encontrar uma maneira de não ser acusado de pôr obstáculos à formação, encontra no formador o bode expiatório sobre o qual passa a estar focalizada a agressão dos indivíduos.

Deslocam a agressão para o formador, que passa a ser o culpado pelos conflitos até aí existentes. Mas esta agressão tem que ser temporária e exige do formador uma grande capacidade para ultrapassar situações delicadas, sob pena de perder o controlo da situação e não poder mesmo continuar a dar formação àquele grupo. Quando isso acontece para além de ser um grande revés para o formador, é-o também para a organização que o contratou pois os resultados que se pretendiam com a formação não são alcançados.

Um bom formador tem que ser capaz de utilizar metodologias que contribuam para a desinibição, para a abertura de barreiras defensivas, para o estímulo, a participação e espontaneidade.

É preciso que ele contribua para o alívio depois de um estado de tensão, para uma emoção elevada, para a rutura da resistência, para o degelo dos sentimentos que permitam uma reconstituição do grupo, sem que isso passe pela sua submissão.

António Mão de Ferro

 


 

O FASCÍNIO DE SER FORMADOR

O processo formativo deve fazer com que o participante ganhe novos saberes, mas não pode transmitir-lhe uma ideia desprofissionalizante. Isto é, deve levar em conta o que a pessoa sabe e não se impor como um agente definitivo de mudança, desvalorizando as competências que o participante possui. Um formando não pode ser encarado como um qualquer objeto a transformar.

A formação não pode ignorar experiências e conhecimentos adquiridos no percurso profissional pois eles configuram a própria identidade pessoal, na medida em que são a base fundamental para aperfeiçoar ou reconstruir a sua prática.

Se se quiser centrar a formação na empresa ou na organização, os organismos oficiais não podem impor às empresas programas standardizados, o que inclusivé vai contra aquilo que certos organismos certificadores, que agora impõem programas, defenderam no passado. O processo formativo, conteúdos, tempos e metodologia, terão cada vez mais de ser negociados e definidos com o grupo, criando-se condições para que os seus elementos cheguem a conclusões e tomem decisões. Standardizar é retroceder.

Sendo assim é necessário que o formador seja capaz de lidar com a interação do grupo, as suas tensões, repulsas, atrações, pressões, coerções, trocas, conflitos e modos de comunicar. Na formação tradicional, estes aspetos não preocupavam o formador. Mas a partir do momento em que se centra a formação na empresa entra-se na dinâmica do grupo, que é reflexo da vida da coletividade a que pertence, não se podendo ignorar que as forças que atuam no seu seio se fazem sentir por um lado através da coerção, da pressão social, da rejeição e da resistência à mudança e por outro, da atração, da interdependência e do desejo de mudança.

Jogar com a dinâmica de todas estas forças e encontrar a atração total que o grupo exerce sobre os seus membros, encontrar “coesão”, que permita um equilíbrio ou quase equilíbrio, é o grande desafio que se coloca ao formador, o que não é nada fácil. Mas é preciso não esquecer que o fascínio de ser formador reside na capacidade de ultrapassar as dificuldades que vão aparecendo no decurso da formação. Por isso o formador não deve recear as dificuldades ou os problemas com que se deparar, mas encará-los como fazendo parte da sua profissão. São eles que lhe dão a possibilidade de mostrar as suas qualidades como profissional.

António Mão de Ferro

 

 


 

 

CRISE E PERCEÇÃO DE CADA UM

As imagens que todos os dias nos entram pela casa adentro via televisão ou internet, são deveras preocupantes. Se é verdade que o mundo já passou por situações porventura mais complicadas, elas não podem deixar ninguém indiferente. Porém quando se ouvem programas de rádio se vê televisão ou se observam comentários nos diversos sites de notícias na internet, onde ouvintes, telespetadores e leitores,  podem intervir para darem a sua opinião, podemos aperceber-nos de que a visão que cada um tem do mundo, é como se fosse o próprio mundo. Cada um tem a sua razão, a sua verdade, a sua mezinha, a sua resolução para os problemas, como se o mundo em que se vive não fosse bastante complexo e essa complexidade não criasse sentimentos como a dúvida, a incerteza e o medo e fizesse com que se viva entre o deslumbramento e o ceticismo, porque como é evidente a realidade é diferente da perceção que cada um tem.

O curioso é que esta maneira de encarar o mundo é tanto própria do cidadão comum, como dos representantes do estado. Chega-se mesmo  ao  um ponto em que cada passo que o estado dá, encerra uma deficiência, que é corrigida com outro passo em frente, o que faz com que haja primeiro um encolher de ombros, mas depois uma resistência que pode levar milhares de pessoas à rua, com o intuito de protestarem por cada novo passo que os governantes dão, porque se fica com a expetativa de que ele conduzirá na mesma direção.

Para além dos problemas económicos, a sociedade parece estar a ser ameaçada pela falta de coesão social e o quotidiano cada vez encerra mais incertezas. Talvez seja altura de se considerar que o perfeito é inatingível e de que ninguém tem a verdade absoluta, mas é importante questionarmo-nos se a degradação da sociedade em que se vive, será capaz de progredir contínua e indefinidamente. As crises quer a nível nacional, quer internacional, não podem continuar ininterruptamente porque a ser assim qualquer dia quando despertarmos, pode já ser tarde demais!

António Mão de Ferro


 

QUE PROFESSORES SOBREVIVEM?

A visão que controla as nossas Escolas e Universidades parece ser a de um mundo que funciona como um relógio. É estática, repetitiva, linear! Esta conceção, tipo mecanismo de relojoaria, acaba por se constituir como uma espécie de travão ao desenvolvimento, quando devia ser motor de inovação e de produtividade.

Ainda que os agentes de ensino estejam a “ensinar bem”, e a cumprir os programas, os conhecimentos veiculados não estão a dar resposta às necessidades das empresas. Estas cada vez mais necessitam de colaboradores que dominem um conjunto de competências técnicas e sociais que lhes permitam produzir bens e obter lucros, sem os quais não poderão subsistir.

Os sistemas de ensino não podem por isso restringir-se ao horizonte limitado dos seus conteúdos, nem por “ensinar bem”, aquilo que está desadequado. É preciso terem em conta que as responsabilidades demasiado claras, as rotinas estabelecidas, a divisão e especialização do trabalho, funcionam mal numa conjuntura de mudança imprevisível e onde as tecnologias se sucedem a um ritmo cada vez mais veloz.

A Educação terá de contribuir cada vez mais para que as pessoas possam descobrir-se na sua identidade e nos seus valores, consciencializar-se da importância do trabalho em grupo, da comunicação e da cooperação. Porque à medida que as organizações se tornam mais complexas, o conhecimento conjugado dos diferentes intervenientes é um contributo importante para a afirmação das empresas. A inteligência individual e coletiva, o espírito crítico, o sentido de pertença e a capacidade de concretização, são fatores muito importantes que devem ser mobilizados dos estabelecimentos de ensino para o mundo laboral.

Cada vez mais os docentes necessitam de ser capazes de compatibilizar os programas com as exigências do trabalho, pois não virá muito longe o dia em que os estabelecimentos de ensino que conseguirem essa compatibilização ganharão uma clara vantagem e prosperarão. Os docentes que continuarem a funcionar como um relógio poderão ter os dias contados

António Mão de Ferro

 


 

PESSOAS, PROCURAM FORMIGUEIRO!

O desejo de novas experiências, a eterna  procura da tão desejada felicidade, uma maior liberdade, uma informação mais alargada e, até há pouco tempo, um razoável poder económico da classe média, acarretaram mudanças profundas nas Instituições.

A família tem sido das que mais mudanças tem tido: os casais a viver em união de facto, as famílias monoparentais, as uniões de homossexuais legalizadas ou mesmo os casamentos, os casamentos tardios, os casais que casam de novo, uma duas, três, quatro ou mais vezes, e que levam consigo filhos de anteriores casamentos. Estas mudanças estão a desagregar  o tradicional conceito de família e a fazer com que haja uma atitude diferente dos pais na educação dos filhos.

Mas, as mentalidades não parecem ter evoluído ao mesmo ritmo das mudanças. Não se está a assistir a uma maior autoafirmação das pessoas! O quadro de valores do passado, que se foi alicerçando ao longo de séculos, condiciona os indivíduos.

Se o leitor me permite um aparte, direi que o  comportamento típico de uma formiga  só pode ser observado numa comunidade de formigas. Ora perante a pressão em que se vive, a insegurança, a mudança de valores,  a incansável procura do sucesso ou, nalguns casos, da sobrevivência económica,  as pessoas não conseguem ter um domínio de si próprias. Daí  que volte novamente ao aparte, desta vez para dizer que elas se sentem uma espécie de formigas fora do formigueiro!

Entregam-se por isso a qualquer grupo que lhes dê segurança, fazendo o que for necessário para permanecerem nele, ainda que muitas vezes o que fazem lhes pareça inconcebível! Por exemplo, na politica, são capazes de apoiar religiosamente e sem reservas um líder e poucos dias depois, se a conveniência o justificar, apoiar outro, igualmente sem reservas, que se oponha completamente à estratégia do anterior.
 
Daí que a visão que muitos têm do mundo seja a de uma sociedade frágil, incerta, imprevisível. Para que a vida das pessoas não se assemelhe a convenções dramáticas ou até ficções comparáveis ao teatro, ao circo, ou ao carnaval, necessita-se urgentemente de atores com liberdade, que tomem as  opções que queiram seguir, mas onde o desempenho dos papéis esteja de acordo com as suas caraterísticas, as condições de que dispõem, e o domínio de si próprios.

António Mão de Ferro

 


 

SERÁ O SABER PODER?

Todos conhecemos o velho ditado que diz que “saber é poder”. Mas se pensarmos bem, o saber só por si não significa poder. É sem dúvida muito importante, sem ele seria impossível  entender o desenvolvimento do trabalho que realizamos, não apreciaríamos o que se passa no mundo, nem tão pouco teríamos a possibilidade de vislumbrar o futuro. Todavia só por si o saber não faz andar as máquinas que produzem, não minimiza os conflitos que surgem no trabalho, não produz aumentos de salários nem de riqueza. Fechado na cabeça das pessoas e guardado nos relatórios dos gestores, o saber não se transforma em poder. O saber transforma-se em poder quando é posto ao serviço de alguma coisa.

É portanto a utilização do saber que o torna numa força.

Não erraremos se dissermos que uma parte da utilidade do saber consiste em comunicá-lo aos outros com clareza, exatidão e brevidade. Pouca ou nenhuma utilidade representa para a pessoa, ou para a organização onde um gestor trabalha, se não for capaz de comunicar eficazmente o que sabe aos que trabalham sob a sua orientação, de modo a permitir-lhes uma clara visão dos problemas e necessidades da organização.


António Mão de Ferro

 


 

A EVOLUÇÃO É  INCONTROLÁVEL

Parece já ser da pré história e no entanto, ainda não há muitos anos, para fazer uma simples chamada telefónica era necessário estabelecer primeiro a ligação com uma central telefónica. Aí uma senhora, umas vezes com simpatia outras, nem por isso, perguntava: número? Depois de se lhe dizer o número para onde se pretendia falar voltava a perguntar:  de que número fala?

A Automatização substituiu  com vantagem esses postos de trabalho, assim como está a substituir muitos outros noutras atividades. Analisando essas situações a alguma distância elas parecem absolutamente normais, no entanto a alteração criou, e cria, nas pessoas uma grande angústia.

Mas voltando ao caso dos telefones, a alteração foi extraordinariamente benéfica, pois o serviço passou a ser mais rápido e era incomportável nos dias de hoje, em que a generalidade da população dispõe da possibilidade de fazer chamadas como quiser. Quantos batalhões de telefonistas seriam hoje necessários para fazer as ligações telefónicas que se fazem diariamente?

A evolução, e os ajustes que ela provoca, não é fácil, mas é imprescindível e, por vezes, incontrolável. O progresso empurra muitas vezes a sociedade para a frente, mas traz-lhe muitos custos.

A situação que estamos a viver, em que os conhecimentos e os produtos se tornam obsoletos muito rapidamente, é dramática. Sobretudo para os que perderam o emprego. É em momentos como este, que é preciso pensar que o que se sabe continua a ser válido desde que as pessoas e as organizações tenham a capacidade para se reinventarem a si próprias.

António Mão de Ferro


DISPA-SE!

Há quem se convença de que o pedagogo resolve os males do mundo e faz do atrasado um génio! Se assim fosse e para dar resposta a questões tão complexas e difíceis como as  que a maioria das pessoas se debate, e as impede de produzirem raciocínios claros, ele começaria a sua intervenção por ondem começam os médicos: Dispa-se!

Mas o papel da pedagogia não é o de controlar os movimentos das pessoas, nem avaliar os seus padecimentos. Cabe-lhe abordar as variáveis que intervêm numa determinada situação, não ocupar o lugar de quem realmente tem que tomar decisões. Fazer com que o indivíduo utilize a sua capacidade para que seja capaz de se distanciar, sempre que o entenda, dos discursos e mecanismos que outros desenvolvem, dando-lhe a possibilidade de não se limitar a reagir a determinadas situações, mas a ser produtor delas.

É preciso que os acontecimentos pedagógicos que contribuem para uma mudança no estado do participante não fiquem a perder. Especialmente quando comparados com a atenção prestada à justificação dos objetivos e fins da educação.

É imprescindível que o participante tenha ideias próprias. Não se refugie em grupos, quando eles violem os princípios que defende. Lute contra a apatia e o desregramento da sociedade. Não se limite a ajustar o seu grau de aspiração àquilo que os outros esperam. Seja capaz de dizer por aí não vou sempre que o caminho que idealizou não seja esse.

António Mão de Ferro


QUEM PROCURA O SUCESSO, NÃO TEME O FRACASSO

As coisas estão complicadas. A experiência do passado, por mais sucesso que tenha gerado, já não garante só por si a obtenção de resultados. Muitos empresários questionam-se se devem parar ou prosseguir. Se devem investir ou desinvestir. Alguns estão numa apatia que faz lembrar o burro que, colocado entre dois baldes igualmente cheios, acabou por morrer de fome por não saber de qual se alimentar primeiro.

A indecisão só piora as coisas! É preciso ação. Há um filme que retrata uma situação em que um gestor não sabe o que há-de fazer, até alguém lhe dizer: se está indeciso entre avançar ou parar escolha a face de  uma moeda, atire-a ao ar e depois comprometa-se com o resultado. A indecisão é pior do que qualquer tomada de decisão.

Um coisa é certa, quem está em busca de sucesso não pode temer o fracasso, tem que se comprometer, estar determinado para chegar onde pretende. Para isso é preciso querer as coisas com paixão, caso contrário é difícil prosseguir quando se assiste à queda do que é familiar, se sofre com o ritmo de mudança e com a quebra da economia.

O empresário tem que ser capaz de encontrar na formação os parceiros certos, pois aquilo que alguns especialistas sabem corresponde cada vez menos ao que se está a passar. Eles evidenciam saber cada vez mais sobre menos e, se se descuidam, chegam à situação de saberem tudo sobre nada!

Cada vez mais os empresários têm que se convencer de que para continuarem no mesmo sítio, é necessário correrem com cada vez mais velocidade!

António Mão de Ferro


CHICOS ESPERTOS E LICENCIATURAS

O caso já foi mais do que batido, duas figuras conhecidas, dos maiores partidos, um do PS outro do PSD, que alternam no poder, obtiveram  licenciaturas  por processos pouco claros. O do PS obteve umas cadeiras de maneira esquisita, e o do PSD, as cadeiras todas!

Seriedade, autenticidade, dignidade, honra, atributos pelos quais muitos deram a vida, não parecem hoje fazer parte das caraterísticas de determinados indivíduos que nos governam. Nesta terra de doutores, eles buscam o diploma,  querem ser tratados por Engº e Dr. , mas consideram certamente que aquilo que os diplomas representam – saber -  é um disparate.

Para além deste chico espertismo há um aspeto que deve fazer pensar os professores e os agentes de ensino: Que saberes transmitem? Nestes casos, a falta dos conhecimentos que o diploma deveria ter proporcionado aos ditos não parece ter-lhes feito qualquer falta!
Os sistemas de ensino são navios à deriva que não cumprem as funções para as quais foram criados. Um sistema de ensino não pode funcionar a 20 Kms/hora e preparar pessoas para uma conjuntura que circula a mais de 200.

O que parece estar a suceder é que, enquanto uns passam o tempo a esforçar-se e a estudar coisas que não fazem sentido para a vida,  há outros que obtêm o canudo e andam pelas jotas a tratar dos seus negócios e a angariar conhecimentos que os tornam “mais bem sucedidos” do que os que seguem os formalismos do ensino.
 

António Mão de Ferro

 


 

RECOMEÇAR

Não há maneira das peças voltarem ao tabuleiro e a partida recomeçar. Esta dificuldade de dar início a uma situação diferente está a deixar o país cada vez mais à deriva, sem que se consiga discernir quando acaba. É urgente recomeçar e evitar cair nos mesmos erros. Para isso as peças têm que ser movimentadas por outros, com integridade e competência, para que não se assista ao que estamos a assistir.

É verdade que vira casacas e troca tintas, existem por todo o lado e nem se vê maneira de eles se eclipsarem, mas aquilo que temos presenciado nos últimos tempos e  que continuamos a ver, ultrapassa tudo o que ainda não há muito tempo era impossível de imaginar. Eticamente tem-se o conceito do que é um homem ou mulher e custa a perceber porque motivo alguns, quando detém o poder, parecem fingir não sê-lo. Provavelmente porque depois de tanto tempo a exibirem milhentas caras, acabam por se esquecer de qual é a sua, daí que certamente se debatam com um problema, que é o de não só não se lembrarem do que defenderam, mas o de se esquecerem de quem são!

Parecem comparar-se a um bêbedo, que à medida que o tempo vai passando e a quantidade de álcool ingerido aumenta, vai produzindo mudanças e  desvios na sua conduta que o levam  a semear palavras sem conhecimento nem consciência se delas virá bem ou mal. Verdade se diga que ninguém acredita no que ele diz ou faz, mas o pior é quando os atos praticados, têm reflexos na vida das pessoas e contribuem para que se viva num imenso vazio sem futuro nem esperança, a contemplar tudo o que se passa e a ficar indiferente a tudo o que se aproxima.

Está-se engaiolado sem maneira de conseguir sair. É preciso que as peças voltem ao tabuleiro. Nessa altura há que movimentá-las de modo diferente, o que implica que não se fique indiferente, ao aproximar dos próximos lances  para evitar que este período brutal em que os valores básicos parecem estar a ficar ameaçados, não seja repetido.  Depois não esquecer de ter atenção aos cavalos, porque eles vão penetrar pelo tabuleiro sem respeito pelos outros e a destruir o que podem desde que isso lhes traga benefícios.

Se as peças não forem movimentadas de maneira diferente, quem se continua a tramar, são sempre os mesmos… os peões!

António Mão de Ferro

 
 
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